
Trump aperta cerco a líderes palestinos e restringe vistos
Medida ocorre em meio à crise em Gaza e ao movimento internacional de reconhecimento do Estado palestino
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (31) que vai negar vistos a membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a autoridades da Autoridade Palestina (AP) acusados de “atrapalhar as chances de paz” com Israel.
Em comunicado, o Departamento de Estado não citou nomes, mas afirmou que os grupos descumpriram compromissos assumidos anteriormente em favor da paz. A decisão acontece em meio à crescente pressão internacional contra a crise humanitária na Faixa de Gaza. França, Canadá e Reino Unido já declararam que pretendem reconhecer oficialmente o Estado palestino em setembro — movimento que irritou a Casa Branca.
Trump disse estar preocupado com a situação da população em Gaza, especialmente com a fome infantil, e enviou seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, a Israel para tratar do tema. No entanto, não poupou críticas aos países que reconheceram a Palestina, chegando a sugerir que a decisão do Canadá poderia impactar negociações comerciais entre os dois países.
Apesar do tom duro, o impacto prático da medida pode ser limitado. Desde 2018, ainda no primeiro mandato, Trump já havia fechado a representação diplomática palestina em Washington, que nunca foi reaberta.
Segundo o Departamento de Estado, a OLP e a AP teriam “internacionalizado” o conflito, recorrendo a tribunais internacionais para denunciar Israel e incentivado atos de violência contra o país, inclusive com conteúdo escolar e apoio financeiro a famílias de palestinos acusados de terrorismo.
Vale lembrar que a OLP é reconhecida internacionalmente como o braço diplomático dos palestinos, mas não representa o Hamas, que controla Gaza e é classificado como grupo terrorista pelos EUA — cujos membros já não podem obter vistos.
Nesta semana, Washington também se recusou a participar de uma conferência da ONU em defesa da solução de dois Estados, alegando que o encontro não passava de “um truque de autopromoção” e não teria resultados concretos.