
Trump afasta ação militar na Groenlândia, mas cobra diálogo imediato sobre o território
Em discurso em Davos, presidente dos EUA rejeita uso da força, defende negociação direta e critica rumos da Europa
Durante um discurso de mais de uma hora no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende usar a força militar para tomar controle da Groenlândia, mas deixou claro que quer negociações imediatas para a aquisição do território, atualmente ligado à Dinamarca.
Falando nesta quarta-feira (21), Trump abordou uma série de temas internacionais, incluindo as relações com a Europa, a situação da Venezuela, a guerra na Ucrânia, tensões com o Canadá e críticas à política de juros do Federal Reserve.
Ao tratar especificamente da Groenlândia, Trump disse respeitar tanto a população local quanto os dinamarqueses, mas defendeu que a segurança da região depende exclusivamente dos Estados Unidos. “Nenhum país, nem mesmo um grupo de países, tem capacidade real de defender a Groenlândia além dos EUA”, afirmou.
Segundo o presidente, o território teria um papel estratégico fundamental para a estabilidade global. “A Groenlândia pode ser essencial para a paz mundial. Quero aquele pedaço de gelo para ajudar a proteger o planeta”, declarou, em tom provocativo.
Críticas à Europa e à política migratória
Trump também comentou sobre a situação do continente europeu, dizendo admirar a região, mas avaliando que ela “não está no caminho certo”. Para ele, muitos países da Europa poderiam seguir o modelo econômico adotado pelos EUA. “Há lugares que não são mais reconhecíveis”, disse.
O presidente norte-americano criticou políticas migratórias e ambientais adotadas nas últimas décadas, afirmando que o crescimento econômico do Ocidente foi prejudicado por gastos excessivos, migração descontrolada e o que chamou de “golpe verde”. Trump ainda responsabilizou o ex-presidente Joe Biden por esse cenário.
Venezuela, Canadá e juros
Sobre a Venezuela, Trump afirmou que os Estados Unidos retiraram cerca de 50 milhões de barris de petróleo do país desde a semana anterior. Segundo ele, a ação faz parte de um esforço para “ajudar a reconstruir” a nação sul-americana.
Já em relação ao Canadá, Trump enviou um recado direto ao primeiro-ministro Mark Carney, dizendo que o país “vive às custas dos Estados Unidos” e deveria demonstrar mais gratidão.
O presidente também voltou a criticar o aumento dos juros, afirmando que essa política dificulta o crescimento econômico dos EUA.
Escalada de tensão internacional
A fala de Trump sobre a Groenlândia elevou a tensão diplomática entre os EUA e países europeus. O presidente ameaçou impor novas tarifas comerciais a oito nações da Europa, pressionando o bloco a aceitar negociações sobre o território.
Apesar de ser autônoma, a Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, que integra a Otan. O primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, já afirmou que o território não será governado pelos Estados Unidos e alertou a população para a possibilidade de uma crise mais grave.
Diante das ameaças, países europeus reforçaram a presença militar na região, enquanto a União Europeia realizou uma reunião de emergência e passou a discutir possíveis retaliações econômicas contra os EUA.
Clima tenso com a França
O Fórum de Davos também expôs um atrito entre Trump e o presidente francês, Emmanuel Macron. O norte-americano revelou uma conversa privada em que Macron questionava suas intenções na Groenlândia.
Em resposta indireta, Macron defendeu a soberania dos países europeus e criticou posturas imperialistas. “Não é hora de colonialismos nem da lei do mais forte”, afirmou, em discurso visto como um recado direto a Trump.