
Trump diz que acordo de paz entre Israel e Hamas está “muito próximo”
Negociadores se reúnem no Egito para discutir proposta americana. Hamas sinaliza aceitação parcial, enquanto Israel resiste a pontos centrais do plano.
Em um tom de otimismo pouco visto desde o início do conflito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) que um acordo de paz entre Israel e o Hamas “está muito próximo” de se concretizar. A declaração foi feita no Salão Oval da Casa Branca, justamente no dia em que a guerra na Faixa de Gaza completa dois anos.
Trump garantiu que fará “todo o possível” para assegurar que ambas as partes cumpram os termos assim que o acordo for assinado. “Estamos muito perto de um entendimento no Oriente Médio”, disse ele, ao lado do premiê canadense, Mark Carney.
O presidente americano já havia demonstrado otimismo dias antes, ao lançar um plano de 20 pontos que prevê o fim imediato dos confrontos, anistia para membros do Hamas que entregarem suas armas e um novo modelo de governança para Gaza supervisionado por um “Conselho da Paz”, presidido pelo próprio Trump.
Negociações sob desconfiança
Delegações de Israel e Hamas estão reunidas no Egito desde a segunda-feira (6), com mediação de Estados Unidos, Catar e Egito, tentando ajustar os detalhes da proposta. O Hamas afirmou estar disposto a libertar todos os reféns, vivos e mortos, mas ainda quer discutir pontos sensíveis — como o desarmamento e o futuro político da Faixa de Gaza.
Israel, por sua vez, aceitou o plano “em princípio”, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeita qualquer menção à criação de um Estado palestino, o que se tornou um dos maiores entraves das negociações.
Um conflito que deixou cicatrizes
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou ataques coordenados contra o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e levando 251 reféns. Desde então, a resposta israelense devastou Gaza: segundo o Ministério da Saúde local — com dados reconhecidos pela ONU —, mais de 67 mil palestinos morreram e outros 170 mil ficaram feridos, em meio ao colapso humanitário e à escassez extrema de alimentos e abrigo.
A guerra se tornou um símbolo de dor e resistência, com o mundo dividido entre a defesa da segurança israelense e as denúncias de genocídio contra civis palestinos.
O plano americano
Pelo projeto apresentado pela Casa Branca, Gaza se tornaria uma zona desmilitarizada, administrada por um comitê técnico composto por palestinos e especialistas internacionais.
O Hamas teria 72 horas para libertar todos os reféns e, em contrapartida, Israel deveria soltar cerca de 2 mil prisioneiros palestinos. A ONU e o Crescente Vermelho seriam responsáveis por coordenar a ajuda humanitária.
Embora o texto seja vago quanto à criação de um Estado palestino, ele abre caminho para uma solução de dois Estados no futuro. Ainda assim, o cenário continua incerto: Trump avisou que, se o Hamas não aceitar os termos, enfrentará “um inferno total”. Netanyahu, por sua vez, deixou claro que retomará a ofensiva militar caso o acordo fracasse.
Entre promessas de paz e ameaças veladas, o que está em jogo vai além da diplomacia — é a tentativa de encerrar uma das guerras mais sangrentas e simbólicas do século, onde cada gesto político é medido pelo peso das vidas perdidas.