
Trump Media e Rumble levam Moraes à Justiça dos EUA por “perseguir” críticos de Lula
Empresas ligadas a Donald Trump acusam Alexandre de Moraes de extrapolar seus poderes e reprimir opositores como Eduardo Bolsonaro e Allan dos Santos, inclusive em território americano
A Justiça dos Estados Unidos aceitou, no último dia 6 de junho, uma nova citação judicial contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa partiu das empresas americanas Trump Media, vinculada ao ex-presidente Donald Trump, e da plataforma Rumble, que acusam o magistrado brasileiro de usar sua posição para perseguir politicamente adversários do presidente Lula.
O processo menciona diretamente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador de direita Allan dos Santos como alvos dessa suposta perseguição. Segundo a ação, Moraes estaria promovendo uma repressão generalizada contra “autoridades eleitas, jornalistas, juristas, artistas e cidadãos comuns” que se opõem a Lula ou ao próprio ministro.
Com a nova citação, Moraes tem 21 dias para apresentar uma defesa ou pedir o arquivamento da ação, conforme a legislação processual americana.
Censura com alcance internacional?
A denúncia também reforça críticas frequentes a Moraes por sua atuação em casos relacionados à liberdade de expressão. Legisladores dos Estados Unidos afirmam que decisões do ministro têm repercussão direta em solo americano, atingindo plataformas e usuários residentes no país.
A origem do conflito remonta a 2024, quando Moraes determinou a suspensão temporária da rede social X (antigo Twitter) no Brasil, após desobediência a ordens judiciais. A medida provocou reação internacional. Rumble e Trump Media se uniram então em uma ofensiva jurídica para contestar a validade de ordens judiciais emitidas por Moraes com efeitos sobre empresas estrangeiras.
O senador republicano Marco Rubio chegou a declarar, em maio deste ano, que Moraes pode ser alvo de sanções com base na Lei Global Magnitsky, que pune violações graves de direitos humanos.
Eduardo Bolsonaro pede asilo político
A ação cita ainda o caso de Eduardo Bolsonaro, que, em março de 2025, anunciou que buscaria asilo político nos EUA alegando perseguição por parte de Moraes. O deputado afirmou, em vídeo, que o ministro pretendia confiscar seu passaporte e até prendê-lo por denunciar abusos cometidos contra conservadores no Brasil. Desde então, Eduardo tem vivido nos Estados Unidos e se encontrado com parlamentares e organizações da sociedade civil para denunciar o que chama de uso político do Judiciário brasileiro.
O processo também menciona a iniciativa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que solicitou ao STF a abertura de investigação contra Eduardo Bolsonaro por supostos crimes cometidos durante sua estada nos EUA, como tentativa de obstrução de justiça e incitação contra o Estado Democrático de Direito.
Allan dos Santos e a “mordaça digital”
Outro nome citado no processo é o de Allan dos Santos, conhecido influenciador de direita. Moraes foi responsável por bloquear as redes sociais de Allan após ele divulgar mensagens falsas que indicariam um plano do ministro para prender Jair Bolsonaro. As empresas acusam Moraes de impor uma “ordem de mordaça” ao banir perfis do influenciador, impedindo inclusive que usuários americanos acessem seu conteúdo.
A ação argumenta que esse tipo de medida compromete diretamente os princípios constitucionais dos EUA, como a liberdade de expressão e o direito ao debate público, alertando que o país não pode permitir extrapolações judiciais estrangeiras que imponham censura em seu território.
“As ordens de Moraes não são apenas restrições judiciais. Elas representam uma campanha deliberada para calar dissidentes e consolidar seu controle sobre o discurso público no Brasil, atingindo inclusive cidadãos e empresas nos Estados Unidos”, diz o documento.