Trump prepara recurso para tentar reativar tarifas bloqueadas pela Justiça nesta sexta-feira

Trump prepara recurso para tentar reativar tarifas bloqueadas pela Justiça nesta sexta-feira

Governo dos EUA planeja recorrer à Suprema Corte após decisão judicial suspender tarifas impostas em abril, numa disputa que revela tensão entre Executivo e Judiciário

O bloqueio das “tarifas recíprocas” aplicadas por Donald Trump pode durar pouco. O governo americano está considerando levar o caso direto à Suprema Corte já nesta sexta-feira (30), na tentativa de restabelecer as tarifas que foram suspensas por um tribunal na noite da última quarta-feira (28). A estratégia é conseguir uma liminar que suspenda a decisão enquanto o recurso, já apresentado, é avaliado.

Se o Tribunal de Apelações não conceder uma suspensão temporária, a equipe jurídica da Casa Branca planeja acelerar a disputa levando o assunto direto para o tribunal mais alto do país — uma movimentação antecipada em documentos oficiais obtidos pela emissora CNBC.

A decisão judicial, assinada por três juízes, anulou as tarifas impostas por Trump em abril, durante o chamado “Dia da Libertação”. Além disso, o bloqueio abrange tarifas anteriores aplicadas contra Canadá, México e China, que tinham como justificativa a segurança nas fronteiras dos EUA e o combate ao tráfico de fentanil.

De acordo com o colegiado, a Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência não dá ao presidente autoridade ilimitada para impor essas tarifas. A decisão também proibiu que futuras mudanças nas tarifas sejam feitas e estabeleceu um prazo de dez dias para cumprimento da determinação.

A resposta do governo Trump não demorou. Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, classificou a decisão como parte de um “golpe judicial” e afirmou: “O golpe judicial está fora de controle”. Em entrevista na quinta-feira (29), reforçou que “estamos vivendo sob uma tirania judicial”.

Peter Navarro, conselheiro econômico de Trump, também criticou fortemente os juízes em entrevista à Bloomberg TV, chamando o tribunal de “globalista” e “pró-importador”. Jason Miller, assessor próximo ao presidente, declarou à Fox Business que “temos juízes não eleitos tentando impor sua vontade em questões tributárias, comerciais e econômicas”.

Curiosamente, os juízes que assinaram a decisão — Jane Restani, Timothy Reif e Gary Katzmann — foram indicados por presidentes dos dois principais partidos: Ronald Reagan, Barack Obama e o próprio Donald Trump.

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