
Trump recua de ofensiva militar após libertação de presos políticos na Venezuela
Presidente dos EUA diz que gesto do regime abriu caminho para cooperação e evitou nova escalada de ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (8) que decidiu suspender novos ataques militares contra a Venezuela. A decisão veio logo após o regime venezuelano iniciar a libertação de presos políticos, medida interpretada pela Casa Branca como um sinal concreto de busca por diálogo e estabilidade.
Segundo organizações de direitos humanos, pelo menos cinco opositores já foram libertados. Durante anos, críticos do governo chavista foram detidos sob acusações genéricas como terrorismo, conspiração e traição à pátria, prática amplamente denunciada como perseguição política sistemática.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a libertação dos detentos representa uma mudança de postura do regime. “A Venezuela está soltando um grande número de presos políticos como demonstração de que quer paz. Em resposta a essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que estava planejada”, escreveu o presidente americano.
Trump também destacou que Washington e Caracas vivem, neste momento, um raro período de entendimento. Segundo ele, justamente por essa cooperação, a nova ofensiva militar “não será necessária”. Ainda assim, o republicano deixou claro que os Estados Unidos seguem atentos: navios de guerra permanecerão posicionados no Caribe para garantir, segundo ele, “ordem, segurança e proteção”.
Além do campo militar, Trump ressaltou o impacto econômico da mudança de cenário. De acordo com o presidente, grandes empresas do setor petrolífero planejam investir cerca de US$ 100 bilhões na Venezuela, sinalizando uma possível retomada econômica caso o país mantenha o caminho da abertura e da pacificação.
A libertação dos presos foi anunciada um dia antes pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que classificou a medida como um “gesto unilateral de paz”, afirmando que não houve negociação formal com outros países. Ainda assim, o anúncio ocorreu poucos dias após a operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, hoje detidos em Nova York.
Entre os libertados está a ativista Rocío San Miguel, presa desde 2024 e mantida no Helicoide, local denunciado por entidades internacionais como centro de tortura. Também deixaram a prisão o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, detido após denunciar fraudes eleitorais, e o ex-deputado opositor Biagio Pilieri, aliado da líder política María Corina Machado.
Essas são as primeiras libertações realizadas sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu após a saída forçada de Maduro. Para analistas internacionais, a decisão de Trump de suspender novos ataques reforça sua estratégia de pressão máxima combinada com incentivos, usando força e negociação como instrumentos para produzir resultados imediatos.
O episódio marca um novo capítulo na crise venezuelana e evidencia que, ao menos por ora, a libertação de presos políticos abriu espaço para reduzir tensões e evitar uma escalada militar maior na região.