TCU interrompe inspeção no Banco Central sobre caso Banco Master

TCU interrompe inspeção no Banco Central sobre caso Banco Master

Relator decide levar discussão ao plenário para evitar tensão entre instituições

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu suspender a inspeção presencial que seria realizada no Banco Central no processo que apura a liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (8) pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, que optou por submeter o tema à análise do plenário da Corte.

A inspeção havia sido autorizada anteriormente de forma individual pelo próprio relator, mas acabou sendo interrompida após um recurso apresentado pelo Banco Central. A autoridade monetária argumentou que uma medida desse porte não poderia ser determinada de maneira monocrática, sem o aval do colegiado do TCU.

No recurso — apresentado por meio de embargos de declaração, instrumento usado para pedir esclarecimentos e que costuma suspender decisões — o Banco Central sustentou que a inspeção dependeria de autorização expressa do plenário do tribunal.

Embora Jhonatan de Jesus tenha destacado que o regimento interno do TCU lhe confere poderes para autorizar inspeções como parte da instrução do processo, ele reconheceu que a repercussão do caso extrapolou o que normalmente ocorre em procedimentos técnicos desse tipo.

Segundo o ministro, a visibilidade pública e o impacto institucional da apuração recomendam que a controvérsia seja analisada pelo plenário, instância que, em sua avaliação, tem maior capacidade de dar segurança jurídica e evitar conflitos entre órgãos do Estado.

No despacho, o relator reforçou que a inspeção tinha caráter estritamente técnico e serviria apenas para permitir o acesso dos auditores do TCU a documentos protegidos por sigilo. Ele também ressaltou que discordâncias sobre o alcance do controle externo do tribunal sobre o Banco Central não se confundem com falhas formais que justifiquem a anulação da decisão.

Com isso, o caso envolvendo a liquidação do Banco Master segue em análise, agora sob a responsabilidade do conjunto dos ministros do TCU, em um movimento que busca preservar a estabilidade institucional e esclarecer os limites de atuação entre os órgãos de controle e a autoridade monetária.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags