
Trump vira piada (e alvo de fúria) após divulgar vídeo com “fezes” sobre manifestantes
Enquanto milhões protestavam contra seu autoritarismo, o ex-presidente respondeu com uma animação grotesca gerada por IA — e a internet reagiu com indignação e vergonha alheia.
Milhões de americanos tomaram as ruas no fim de semana em um grito coletivo contra o autoritarismo de Donald Trump. Batizada de “No Kings”, a marcha se espalhou pelos 50 estados dos EUA e reuniu, segundo organizadores, quase 7 milhões de pessoas — o maior protesto em um único dia contra um presidente na história moderna do país.
Entre os manifestantes, figuras de Hollywood como Robert De Niro, Spike Lee, Glenn Close e Jamie Lee Curtis juntaram suas vozes às multidões. Curtis postou uma foto simbólica de uma placa “No Parking” transformada em “No King”, com uma legenda que soava como um chamado à ação: “Não importa o tamanho da marcha, importa que aparecemos. Agora vem o trabalho duro — votar é o nosso grito mais alto.”
Mas, em vez de responder institucionalmente à insatisfação popular, Trump escolheu o caminho da zombaria. Publicou no Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial em que aparece usando uma coroa, pilotando um caça com o nome “KING TRUMP” e atirando lama marrom — que parecia claramente fezes — sobre os manifestantes. Tudo ao som de “Danger Zone”, música-tema de Top Gun.
O vídeo, descrito por internautas como “infantil” e “repulsivo”, foi compartilhado nas contas oficiais e pessoais do presidente e do vice, JD Vance, que também publicou uma versão própria, mostrando Trump de capa e coroa.
A reação foi imediata — e furiosa. Nas redes, usuários acusaram Trump de “ter a maturidade de um garoto de 12 anos” e de demonstrar, de forma literal, o desprezo que sente pelos próprios cidadãos. “Ele literalmente está se cagando pro país — é a coisa mais honesta que já publicou”, escreveu um usuário do X.
Até Hillary Clinton ironizou a cena, afirmando que Trump “não está irritado com os protestos — está irritado por o povo ter coragem de enfrentá-lo”.
Para pesquisadores, como Kurt Sengul, da Universidade Macquarie (Austrália), o episódio mostra como Trump usa a inteligência artificial para transformar a política em espetáculo. Ele chama isso de “guerra memética” — um terreno onde nada parece sério e o riso serve como escudo para o autoritarismo.
Mas, desta vez, a piada parece ter ido longe demais. O vídeo de mau gosto uniu opositores e até parte dos antigos simpatizantes em uma mesma reação: indignação. Como resumiu um comentarista: “Quando um presidente precisa de IA e fezes para responder ao povo, é sinal de que perdeu o controle da própria narrativa.”