
Trump volta a mirar o Brasil e ataca Alexandre de Moraes
Governo americano ameaça “medidas cabíveis” e cogita restringir vistos; críticas miram atuação do ministro do STF
O governo de Donald Trump reacendeu as ameaças contra o Brasil e colocou novamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no centro da polêmica.
Em postagem feita na rede social X nesta segunda-feira (8), o subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado aproveitou a data da Independência brasileira para atacar o ministro, acusando-o de “abusos de autoridade”. A Embaixada dos EUA em Brasília republicou a mensagem no dia seguinte, reforçando o tom de pressão.
“Ontem marcou o 203º Dia da Independência do Brasil. Foi um lembrete do nosso compromisso de apoiar o povo brasileiro que busca preservar os valores da liberdade e da justiça. Em nome do ministro Alexandre de Moraes e dos indivíduos cujos abusos de autoridade minaram essas liberdades fundamentais, continuaremos a tomar as medidas cabíveis”, escreveu.
A nova ofensiva acontece poucos dias depois de Trump declarar publicamente estar “muito irritado” com o Brasil. Em entrevista na Casa Branca, ele sugeriu que pode restringir vistos de autoridades brasileiras que planejam participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
“Já aplicamos tarifas pesadas porque eles estão fazendo algo muito infeliz. O governo mudou radicalmente para a esquerda. Isso está fazendo muito, muito mal. Vamos ver”, disse o presidente americano, em referência às tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros impostas em agosto.
Alexandre de Moraes virou alvo direto das críticas do governo Trump por ser relator do processo em que Jair Bolsonaro é acusado de tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra a democracia. O ministro já teve o visto americano revogado e foi incluído na lista de sanções da chamada Lei Magnitsky.
As tarifas e as ameaças de sanções diplomáticas são vistas como parte de uma estratégia de Trump para pressionar governos que considera adversários ideológicos. A possibilidade de restrições durante a Assembleia Geral da ONU, evento que tradicionalmente reúne líderes de todo o mundo, levanta dúvidas sobre o impacto nas relações bilaterais e até sobre o papel dos EUA como anfitrião de organismos internacionais.