
Trump volta a subir o tom e ameaça Irã com ação militar
Presidente dos EUA diz que país será atingido “com força” se regime intensificar repressão a protestos
Em meio a uma onda de protestos que já alcança a maior parte das províncias do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar um discurso duro contra o regime iraniano. Nesta quinta-feira, ele afirmou que Teerã poderá sofrer uma resposta militar severa caso as autoridades passem a matar manifestantes durante as mobilizações populares.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que a ONG Netblocks, especializada em monitoramento digital, informou que o governo iraniano impôs um bloqueio de internet em escala nacional. A medida, segundo a entidade, seria uma tentativa de conter a organização e a divulgação dos protestos, que já entram em sua segunda semana e desafiam diretamente o poder da República Islâmica.
Durante entrevista a um programa de rádio conservador nos Estados Unidos, Trump afirmou que deixou claro ao governo iraniano que qualquer ação violenta contra civis teria consequências. Segundo ele, os Estados Unidos não ficariam passivos diante de uma repressão sangrenta e reagiriam “com muita força”.
Não é a primeira vez que o republicano adota esse tom. Na semana anterior, Trump já havia afirmado que o país estaria “pronto para agir”, com suas forças armadas em alerta. Ainda assim, analistas avaliam que não está claro até onde o presidente estaria disposto a ir, especialmente diante do risco de uma escalada regional, algo que preocupa aliados e adversários.
As declarações provocaram reação imediata em Teerã. Autoridades militares classificaram o discurso como uma ameaça direta à soberania iraniana. Já o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, adotou uma postura mais moderada, pedindo diálogo, contenção e escuta às reivindicações da população.
Os protestos tiveram início no final de dezembro, impulsionados pelo aumento do custo de vida e pela crise econômica agravada pela desvalorização da moeda local. Com o passar dos dias, as manifestações ganharam contornos políticos, incluindo críticas abertas à liderança do país e ao regime instaurado após a Revolução Islâmica de 1979.
Organizações de direitos humanos relatam dezenas de mortes, centenas de feridos e milhares de prisões desde o início dos atos. Embora a repressão inicial tenha sido mais contida do que em protestos anteriores, imagens verificadas por agências internacionais indicam que o uso da força vem aumentando.
Diante desse cenário, as ameaças de Trump adicionam um novo elemento de tensão a uma crise já delicada, ampliando o risco de instabilidade não apenas para o Irã, mas para toda a região do Oriente Médio.