TurLula em operação: o Brasil vira roteiro enquanto a conta aterrissa no colo do contribuinte

TurLula em operação: o Brasil vira roteiro enquanto a conta aterrissa no colo do contribuinte

Governo Lula já torrou R$ 7 bilhões em viagens oficiais e consolida a era do avião cheio e do discurso vazio

Se existe um setor que segue em pleno crescimento no governo Lula, ele não aparece no PIB, nem na indústria, nem no emprego. Está no ar — literalmente. Nos três primeiros anos do terceiro mandato do petista, os gastos com viagens oficiais chegaram à impressionante marca de R$ 7 bilhões, segundo dados do Portal da Transparência. Uma cifra que transforma o Planalto em agência de turismo e o contribuinte em patrocinador involuntário da excursão.

O valor engloba despesas de ministérios e órgãos federais com passagens, diárias, taxas e serviços diversos. E atenção: nem sequer inclui as viagens do próprio presidente, frequentemente acompanhado de Janja, que virou presença constante em agendas internacionais, fóruns, cúpulas e eventos mundo afora — sempre com discursos sobre desigualdade, enquanto o custo da comitiva só aumenta.

Menos pandemia, mais passagens

Em 2025, o governo gastou R$ 2,35 bilhões com deslocamentos oficiais. Houve uma queda tímida de 1% em relação a 2024, ano recorde, com R$ 2,37 bilhões. Ainda assim, a média de gastos do atual mandato supera com folga governos anteriores.

Para efeito de comparação, os R$ 7 bilhões gastos desde 2023 superam a soma de todo o período entre 2017 e 2022. É verdade que parte desse intervalo foi marcado pela pandemia, quando viajar não era opção. Mas o contraste escancara a mudança de prioridade: saiu o discurso de austeridade, entrou o embarque constante.

Diárias, passagens e o Brasil como destino recorrente

Do total gasto em 2025, a maior fatia ficou dentro do próprio país: R$ 2,079 bilhões em viagens nacionais, contra R$ 276 milhões em viagens internacionais. São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Paraná lideraram o ranking de destinos — com destaque também para o Pará, que sediou a COP30.

Curiosamente, estados menores ou menos estratégicos politicamente ficaram quase fora do mapa: Amapá, Acre, Sergipe, Alagoas e Espírito Santo receberam poucas visitas da máquina federal. Parece que nem todo Brasil entra no roteiro do TurLula.

Quem mais voou com o dinheiro público

No ranking dos maiores gastadores, o Ministério da Justiça lidera com R$ 396 milhões em 2025. Em seguida vêm Defesa (R$ 311 milhões), Educação (R$ 304 milhões) e Meio Ambiente (R$ 126 milhões).

O governo tenta justificar os números alegando “agendas técnicas”, “articulação institucional” e “ações estratégicas”. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, afirmou que parte significativa dos gastos se deve a fiscalizações, combate a incêndios e atuação em áreas remotas. O discurso é técnico, mas o volume impressiona — especialmente quando se soma tudo e se olha o conjunto da obra.

Muito discurso social, pouca contenção

Enquanto Lula e Janja falam em combater privilégios, reduzir desigualdades e cuidar dos mais pobres, os números mostram um governo que viaja muito, gasta muito e explica pouco. A retórica é de sobriedade; a prática é de cartão corporativo no modo ilimitado.

No fim, o brasileiro comum segue pagando caro — seja na passagem aérea da comitiva, seja no preço do arroz, do gás ou da conta de luz. Já o governo, esse parece ter escolhido bem seu destino preferido: longe da contenção, perto do embarque, sempre com o embarque autorizado e a fatura garantida.

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