Vai e volta no Supremo: Toffoli libera provas do Banco Master após pressão

Vai e volta no Supremo: Toffoli libera provas do Banco Master após pressão

Depois de mandar lacrar material da PF, ministro muda de posição e autoriza envio à PGR

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou atrás e determinou que todas as provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo o Banco Master.

Mais cedo, a decisão do ministro havia causado estranhamento: Toffoli ordenou que o material recolhido pela Polícia Federal fosse lacrado e mantido sob custódia do próprio Supremo. A medida gerou reação imediata, tanto da PGR quanto da PF, que alertaram para o risco de prejuízo às investigações caso as provas não fossem analisadas com rapidez pelo órgão acusador.

Diante das manifestações, Toffoli recuou. Autorizou o envio direto do material à PGR e determinou que a Polícia Federal adotasse as providências necessárias para cumprir a decisão. Também estabeleceu regras técnicas para a preservação dos dispositivos eletrônicos apreendidos, como mantê-los carregados e desconectados de redes, a fim de evitar perda ou alteração de dados.

A operação desta quarta-feira cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Entre os alvos estão endereços ligados a executivos e empresários associados ao Banco Master, incluindo o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e o empresário Nelson Tanure.

Toffoli ainda decretou a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai. Segundo o ministro, a prisão era necessária para evitar interferência na coleta de provas.

Mesmo após a mudança de decisão, o episódio reforçou críticas e desconfianças. Para muitos, o vai e vem no tratamento das provas expõe mais um capítulo de insegurança institucional em um caso bilionário e sensível. A condução do processo segue sob os holofotes, com a expectativa de que agora as investigações avancem sem novos obstáculos.

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