
Valdemar escancara desconfiança e acusa Moraes de segurar Bolsonaro até depois das eleições
Presidente do PL critica postura do STF, denuncia perseguição judicial e aponta Flávio Bolsonaro como peça-chave para virar o jogo em 2026.
Em um discurso direto, sem rodeios e carregado de indignação, o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao afirmar que o magistrado só permitirá a saída de Jair Bolsonaro da prisão depois das eleições de 2026 — e apenas se o resultado político lhe for favorável.
A declaração foi feita durante um jantar com empresários promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo. Para Valdemar, a situação de Bolsonaro deixou de ser apenas jurídica e passou a ter contornos claramente políticos. Segundo ele, se a direita perder a próxima eleição presidencial, o ex-presidente corre o risco de permanecer mais oito anos em regime fechado.
Bolsonaro está preso desde janeiro no chamado “Papudinha”, anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda, após ter passado pela Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Valdemar ressaltou o estado de saúde delicado do ex-presidente, lembrando cirurgias, sequelas da facada de 2018 e dificuldades físicas enfrentadas no cárcere — fatores que, em sua avaliação, vêm sendo ignorados por Moraes.
Para o líder do PL, a atuação do ministro simboliza um Judiciário que abandonou a imparcialidade. Em tom de repúdio, Valdemar deixou claro que não acredita em qualquer gesto de humanidade antes do calendário eleitoral, reforçando a percepção, compartilhada por aliados, de que Bolsonaro se tornou alvo de uma perseguição política travestida de legalidade.
Estratégia eleitoral e protagonismo de Flávio
Ao mesmo tempo em que criticou Moraes, Valdemar destacou a importância de Flávio Bolsonaro como nome viável para liderar um projeto presidencial em 2026. Segundo ele, para que a candidatura ganhe força real, será essencial o engajamento total de três figuras: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o deputado federal Nikolas Ferreira; e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Valdemar fez questão de elogiar Michelle, chamando-a de “fenômeno político” e reconhecendo sua enorme capacidade de mobilização nacional. Ele minimizou rumores de atrito interno e afirmou que os ajustes estão em andamento para que ela entre de vez na campanha.
Mérito político e recado direto
Ao assumir uma postura firme, Valdemar Costa Neto não apenas saiu em defesa de Bolsonaro, como também se colocou como uma das principais vozes críticas ao avanço do Judiciário sobre a política. Para aliados, sua fala ecoa o sentimento de uma parcela expressiva do eleitorado que vê em Alexandre de Moraes um símbolo de excessos, enquanto reconhece em Valdemar a coragem de dizer, publicamente, o que muitos preferem sussurrar nos bastidores.
Na visão do presidente do PL, 2026 não será apenas uma disputa eleitoral, mas um divisor de águas entre o que ele chama de “democracia de fachada” e a retomada do equilíbrio entre os Poderes.