Valdemar faz mea-culpa sobre Bolsonaro e aponta Flávio como nome mais equilibrado para o futuro

Valdemar faz mea-culpa sobre Bolsonaro e aponta Flávio como nome mais equilibrado para o futuro

Presidente do PL diz, em tom de brincadeira, que Jair Bolsonaro “não é uma pessoa normal” e elogia preparo, carisma e capacidade política do senador Flávio Bolsonaro.

Poucos dias após um clima de desencontro dentro do campo bolsonarista, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, resolveu falar sem rodeios sobre o passado recente e o futuro do grupo político que lidera. Em declaração feita nesta segunda-feira (23), ele reconheceu que o ex-presidente Jair Bolsonaro governava com “destemperos” e, em tom bem-humorado, resumiu: “Eu brinco, mas é verdade: o Bolsonaro não é uma pessoa normal”.

A fala, apesar do tom leve, carrega um recado político claro. Para Valdemar, esse estilo mais impulsivo sempre marcou a trajetória de Jair Bolsonaro no comando do país e ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas durante o governo. Ao comparar pai e filho, o dirigente fez questão de destacar as diferenças.

Segundo ele, o senador Flávio Bolsonaro tem um perfil oposto: é equilibrado, preparado, sabe se comunicar e carrega um capital político relevante, especialmente no Rio de Janeiro, considerado estratégico para o partido. Valdemar contou ainda que se surpreendeu positivamente com o desempenho de Flávio em agendas em São Paulo, enxergando nele potencial para liderar um projeto nacional.

As declarações foram feitas durante um jantar com empresários em São Paulo, evento organizado pelo grupo Esfera Brasil, que reuniu também o presidente nacional do União Brasil. No encontro, Valdemar deixou claro que, na sua avaliação, Flávio poderia fazer um governo melhor que o pai justamente por apresentar mais equilíbrio político e menos confrontação.

Ainda assim, o dirigente fez um alerta: uma eventual candidatura do senador não pode se sustentar apenas em discursos ideológicos. Para ele, é essencial apresentar um programa econômico sólido, com propostas concretas e resultados visíveis. “Não dá para viver só de guerra”, resumiu.

Valdemar afirmou que o PL deve cobrar de Flávio a construção desse plano, inclusive dialogando com nomes do passado recente, como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, para dar densidade técnica ao projeto.

No cenário paulista, o presidente do PL disse que a escolha dos candidatos ao Senado ficará nas mãos de Jair Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro. Entre os nomes ventilados, citou Mario Frias, Renato Bolsonaro e, posteriormente, também mencionou Marco Feliciano.

No pano de fundo, a fala de Valdemar soa como um ajuste de rota: menos explosão, mais cálculo político — e a tentativa de apresentar Flávio Bolsonaro como uma versão mais moderada e palatável de um sobrenome que segue no centro da política brasileira.

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