Venezuela denuncia ameaça militar dos EUA na ONU

Venezuela denuncia ameaça militar dos EUA na ONU

Chanceler Yvan Gil Pinto acusa Trump de agressão ilegal e defende alinhamento com Rússia em meio à escalada de tensões

Em um discurso inflamado na Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil Pinto, classificou a presença militar dos Estados Unidos no Caribe como uma “ameaça ilegal e imoral”, denunciando o que chamou de tentativa de intimidação contra seu país. A declaração ocorre em meio a uma crescente tensão militar entre Caracas e Washington, intensificada pelas ações de Donald Trump na região.

Durante a fala, Pinto traçou um panorama histórico da “luta venezuelana” contra invasões estrangeiras e afirmou que os recentes ataques a barcos venezuelanos, sob a justificativa americana de combate ao narcotráfico, fazem parte de uma sequência de agressões voltadas para tomar o controle das riquezas naturais do país e promover mudanças de regime.

— Agora se soma a tudo isso uma ameaça militar absolutamente ilegal e totalmente imoral, que viola a Carta das Nações Unidas, os direitos soberanos da Venezuela e até mesmo a própria lei dos Estados Unidos — afirmou o chanceler.

O ministro também aproveitou para defender a ofensiva russa na Ucrânia, alinhando o país a Vladimir Putin apenas uma semana após assinar um tratado de parceria estratégica com a Rússia. Pinto classificou a guerra como parte da luta contra o “neonazismo e a agressão militar do Ocidente”.

Além disso, o chanceler venezuelano acusou Trump e os Estados Unidos de fabricarem pretextos para justificar sua presença militar, comparando a situação ao que ocorreu no Irã, Iraque e Líbia, e alertou que a Venezuela seria o próximo alvo do que chamou de “militarismo americano”.

O governo venezuelano, por sua vez, colocou as Forças Armadas em estado de alerta e convocou civis para participarem de milícias voluntárias, enquanto realiza exercícios de treinamento militar. Pinto concluiu seu discurso reafirmando o direito da Venezuela de defender sua soberania e a paz no Caribe e em toda a América do Sul, em uma clara demonstração de repúdio às ações americanas na região.

O pronunciamento do ministro reflete a crescente tensão entre os dois países e evidencia um posicionamento firme de Caracas diante das ameaças de Trump, em meio à disputa geopolítica e à escalada militar no Caribe.

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