Venezuelanos trocados por americanos: ONG denuncia EUA e El Salvador por violação de direitos humanos

Venezuelanos trocados por americanos: ONG denuncia EUA e El Salvador por violação de direitos humanos

Organização acusa governos de Trump e Bukele de tratarem migrantes como peças de barganha em acordo secreto com Nicolás Maduro

A ONG de direitos humanos Cristosal fez um forte apelo nesta terça-feira (22/07), exigindo que os governos dos Estados Unidos e de El Salvador prestem contas por uma manobra que, segundo a organização, tratou 252 migrantes venezuelanos como moeda de troca em uma negociação política.

Essas pessoas estavam presas, de forma considerada ilegal, em uma penitenciária de segurança máxima em El Salvador, normalmente reservada a membros de facções criminosas. Na última sexta-feira, elas foram retiradas do local e enviadas para Caracas, capital da Venezuela. Em troca, o governo de Nicolás Maduro libertou dez cidadãos americanos.

Para a Cristosal, o episódio representa uma grave violação dos direitos humanos. A ONG denuncia que os dois países ignoraram completamente os critérios legais e democráticos. “Estamos diante de dois governos tomando decisões sobre a vida de centenas de pessoas como se fossem peças em um jogo político, sem qualquer respeito às normas internacionais”, afirmou a entidade em relatório divulgado na rede X (antigo Twitter).

A organização foi ainda mais enfática ao dizer que o processo todo mais se pareceu com uma troca de reféns do que com uma medida jurídica legítima. Na avaliação da ONG, os envolvidos reconheceram, com essa ação, que mantinham prisioneiros de forma irregular, algo que viola acordos internacionais de direitos humanos.

Outro ponto grave, segundo a Cristosal, é que os migrantes ficaram quatro meses presos ilegalmente, incomunicáveis e sem qualquer garantia legal — o que expõe o colapso das instituições democráticas em El Salvador, país governado com mão de ferro por Nayib Bukele.

A própria Cristosal, que atua denunciando abusos de poder e casos de corrupção no país, foi forçada a deixar o território salvadorenho na semana passada, diante da crescente repressão do governo Bukele contra defensores dos direitos humanos.

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