Bukele x Maduro: crise diplomática explode após denúncias de tortura a venezuelanos deportados

Bukele x Maduro: crise diplomática explode após denúncias de tortura a venezuelanos deportados

Presidente salvadorenho rebate investigação do regime chavista, que acusa El Salvador de manter migrantes como reféns em presídio de segurança máxima

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, reagiu com indignação à decisão da Promotoria da Venezuela, que anunciou na segunda-feira (22) a abertura de uma investigação contra ele. O motivo: as acusações de tortura, abusos físicos e sexuais contra mais de 250 venezuelanos, que foram deportados dos Estados Unidos e mantidos por meses na superprisão de segurança máxima do país, o CECOT.

Os migrantes haviam sido enviados a El Salvador em março, após uma controversa ordem do então presidente americano Donald Trump, que recorreu à arcaica Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798 para viabilizar deportações sumárias — sem direito a defesa ou processos migratórios formais. Muitos deles foram acusados de ligação com o grupo criminoso Trem de Aragua, o que justificaria, segundo os EUA, o envio a uma prisão antiterrorismo.

Na última sexta-feira, os detidos foram libertados e devolvidos à Venezuela, num acordo silencioso que envolveu a troca por dez cidadãos americanos presos pelo governo de Nicolás Maduro.

Mas o que parecia ser o fim de um impasse, virou nova crise. Segundo o procurador venezuelano Tarek William Saab, os ex-detentos denunciaram agressões brutais, estupros, ausência de cuidados médicos, aplicação de medicamentos sem anestesia e até comida contaminada. Ele exibiu vídeos de alguns mostrando hematomas, dentes quebrados e cicatrizes.

Além de Bukele, também serão investigados o ministro da Justiça salvadorenho, Gustavo Villatoro, e o chefe do sistema penitenciário, Osiris Luna Meza.

Bukele reagiu rápido nas redes sociais, acusando Maduro de agir com hipocrisia:

“O regime venezuelano aceitou a troca porque lhe foi conveniente. Agora fazem escândalo, não por discordarem do acordo, mas porque ficaram sem reféns para negociar com os EUA”, escreveu ele no X (antigo Twitter).

Ao desembarcarem nos arredores de Caracas, os ex-presos se reencontraram com parentes, mas ainda não voltaram para casa. O governo venezuelano afirma que eles passarão por avaliações médicas e interrogatórios. Alega ainda que apenas sete dos deportados têm antecedentes criminais sérios.

O episódio também levou à libertação de 80 presos na Venezuela, entre eles 48 considerados presos políticos, de acordo com a ONG Foro Penal. No entanto, a organização alertou que parte da lista continha nomes de pessoas já soltas anteriormente ou até mortas, levantando dúvidas sobre a transparência do processo.

Enquanto isso, a oposição venezuelana celebrou a libertação, mas lembrou que cerca de mil pessoas ainda estão encarceradas por razões políticas, e que outras 12 foram presas nos últimos dias, num ciclo que chamaram de “porta giratória da repressão”.

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