
Vergonha nacional: CNJ pune juiz que enfrentou a corrupção e recuperou bilhões para os cofres públicos
Marcelo Bretas, que colocou poderosos na cadeia, é atacado por quem deveria agradecer seu trabalho pela sociedade
O Brasil realmente virou o país onde fazer a coisa certa virou crime. Nesta terça-feira (3), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi às câmeras comemorar a punição imposta ao juiz federal Marcelo Bretas, condenado pelo CNJ à aposentadoria compulsória. Sim, isso mesmo. O juiz que ajudou a recuperar milhões desviados e colocou políticos e empresários corruptos na cadeia agora é tratado como criminoso — simplesmente por ter feito seu trabalho.
Eduardo Paes acusou Bretas de “interferir de forma ilegal e criminosa” nas eleições de 2018, quando ele, Paes, tentava o governo do estado. Segundo o prefeito, Bretas teria usado o poder do cargo para pressionar testemunhas e prejudicar sua candidatura. “Ele usou o aparato do Estado para coagir pessoas e forçá-las a mentir contra mim”, disse Paes, que perdeu a eleição, mas faz questão de destacar: “Perdi a eleição, mas não perdi minha dignidade”.
O detalhe que ninguém menciona é que, anos depois, quem venceu aquela eleição foi Wilson Witzel, que sofreu impeachment por corrupção. Paes voltou à prefeitura, como se fosse o grande injustiçado da história.
Em julho de 2024, o STF anulou as decisões de Bretas envolvendo Paes, alegando falta de provas — mais uma pá de cal na Operação Lava Jato, que já tinha sido golpeada antes, quando Sérgio Moro foi declarado suspeito no processo que condenou Lula.
A verdade nua e crua é que Bretas seguiu o mesmo destino de Moro: virou alvo de quem não suporta ver gente poderosa atrás das grades. A Lava Jato desmoronou, não porque fosse injusta, mas porque mexeu com quem jamais aceitou ser investigado.
A história é dura e revoltante. Quem combateu a corrupção virou réu. E quem foi alvo da Justiça, hoje desfila sorrindo, apontando o dedo para quem ousou cumprir a lei.