Zezé paga o preço por falar o que pensa

Zezé paga o preço por falar o que pensa

Show de R$ 500 mil é cancelado em Pernambuco após cantor criticar o SBT por abrir espaço a Lula e Moraes

Mais uma vez, Zezé Di Camargo se vê no centro de uma polêmica — e, desta vez, o palco foi arrancado antes mesmo de o show começar. O cantor teve a apresentação que faria em São José do Egito, no Sertão de Pernambuco, simplesmente cancelada depois de se posicionar publicamente contra a postura do SBT, que convidou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes para o lançamento do canal SBT News.

Zezé havia sido contratado para ser a principal atração da tradicional Festa de Reis, marcada para o dia 4 de janeiro, com um cachê de R$ 500 mil. O valor seria pago com recursos públicos, previstos no orçamento municipal da área de Cultura. O contrato, firmado sem licitação — prática comum nesse tipo de evento —, foi encerrado às pressas pela prefeitura logo após a repercussão das falas do artista.

O que incomodou? O fato de Zezé ter dito, em vídeo nas redes sociais, que se sentiu desconfortável ao ver a emissora onde gravou um especial de Natal se aproximar de figuras políticas que ele claramente não apoia. O cantor não pediu aplausos, não convocou boicotes: apenas expôs sua opinião. Ainda assim, a reação foi imediata e punitiva.

Em nota, o prefeito Fredson Brito afirmou que não aceitaria que o município fosse “colocado no centro de polêmicas”. Na prática, porém, a decisão soou menos como proteção à cidade e mais como intolerância à divergência. Ao cancelar o show, a prefeitura transformou uma opinião pessoal em critério para excluir um artista — algo que levanta questionamentos sobre liberdade de expressão e uso seletivo da moral administrativa.

Zezé pode até ser polêmico, mas não é incoerente. Ele deixou claro seu desconforto, pediu que seu especial não fosse exibido e arcou com as consequências. O que fica difícil de engolir é a ideia de que um cantor, com décadas de carreira e história na música brasileira, seja tratado como problema apenas por não repetir o discurso “aceitável” do momento.

No fim das contas, quem perde não é só Zezé. Perde o público, perde a festa popular e perde a cultura, que deveria ser espaço de pluralidade — não de censura disfarçada de decisão administrativa.

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