
đ Trump e AustrĂĄlia fecham pacto bilionĂĄrio para explorar minerais estratĂ©gicos e conter avanço da China
O acordo, avaliado em US$ 8,5 bilhÔes, amplia a cooperação entre Washington e Canberra em setores de energia, defesa e tecnologia, em meio à disputa global por terras-raras e à pressão sobre Pequim.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro da AustrĂĄlia, Anthony Albanese, assinaram nesta segunda-feira (20) um acordo estratĂ©gico para ampliar o acesso a minerais crĂticos e terras-raras, num movimento que visa reduzir a dependĂȘncia ocidental das cadeias de suprimento controladas pela China.
O pacto, negociado ao longo de cinco meses, prevĂȘ investimentos conjuntos de US$ 1 bilhĂŁo de cada paĂs nos prĂłximos seis meses, alĂ©m da expansĂŁo de projetos de processamento de minerais em territĂłrio australiano. Segundo Albanese, o investimento total pode alcançar US$ 8,5 bilhĂ”es e inclui tambĂ©m cooperação em defesa e tecnologia militar, consolidando uma parceria que ele descreveu como âum novo patamar nas relaçÔes EUA-AustrĂĄliaâ.
Trump, em discurso na Casa Branca, destacou a importĂąncia da iniciativa:
âEm um ano, teremos tantos minerais crĂticos e terras-raras que nĂŁo saberemos o que fazer com elesâ, afirmou o republicano, exaltando o acordo como parte de sua polĂtica para proteger os Estados Unidos das restriçÔes impostas por Pequim.
A AustrĂĄlia, dona das quartas maiores reservas de terras-raras do mundo, busca se firmar como uma alternativa confiĂĄvel Ă China na produção desses materiais â fundamentais para baterias, semicondutores, energia renovĂĄvel e armamentos. O paĂs jĂĄ abriga a Lynas Rare Earths Ltd., Ășnica produtora de terras-raras pesadas fora do territĂłrio chinĂȘs, cujas açÔes dispararam 150% nos Ășltimos 12 meses com o avanço das negociaçÔes.
AlĂ©m do setor mineral, o encontro tambĂ©m tratou de segurança e defesa. Trump reforçou o compromisso com o pacto Aukus, que prevĂȘ a venda de atĂ© cinco submarinos nucleares Ă AustrĂĄlia atĂ© o inĂcio da prĂłxima dĂ©cada, alĂ©m do desenvolvimento conjunto de um novo modelo de embarcação com o Reino Unido para os anos 2040.
Mesmo elogiando a parceria, Trump deixou claro que nĂŁo pretende reduzir tarifas sobre produtos australianos, mantendo uma taxa-base de 10%.
âA AustrĂĄlia jĂĄ paga tarifas muito baixasâ, disse o presidente.
Enquanto Trump insiste em fortalecer a aliança militar e econĂŽmica, Albanese tenta equilibrar suas relaçÔes internacionais â mantendo laços firmes com Washington sem afastar Pequim, principal parceiro comercial australiano.
O novo acordo simboliza mais do que uma parceria econĂŽmica: Ă© uma jogada geopolĂtica que coloca a AustrĂĄlia como peça-chave na estratĂ©gia americana para conter o poder chinĂȘs, ao mesmo tempo em que reposiciona o paĂs no centro da disputa global por recursos estratĂ©gicos do futuro.