
🎆 Mensagem de Ano-Novo ou palanque antecipado?
Lula transforma discurso de fim de ano em propaganda eleitoral e ignora o papel institucional do cargo
O que deveria ser uma mensagem de união, reflexão e respeito ao cargo acabou soando mais como um discurso de campanha fora de época. Na noite de 31 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou suas redes sociais para celebrar o que chamou de “resultados históricos” do país em 2025 — em um tom muito mais próximo de um comício eleitoral do que de uma fala institucional de Ano-Novo.
Em vez de uma mensagem equilibrada ao conjunto da população, Lula optou por listar números, indicadores e promessas futuras, como se estivesse disputando votos, e não exercendo a Presidência da República.
📊 Números exaltados, realidade seletiva
Segundo o presidente, o Brasil encerra o ano com a menor taxa de desemprego da história, em 5,2%, além de um recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas, sendo 39,4 milhões com carteira assinada. Lula também destacou o aumento do rendimento médio do trabalhador, que teria chegado a R$ 3.574, além de dados positivos sobre inflação, bolsa de valores e investimentos estrangeiros.
No campo externo, o presidente comemorou a entrada de US$ 84,2 bilhões em investimento direto estrangeiro, o maior volume desde 2012, e citou o crescimento do turismo, com 9 milhões de visitantes internacionais.
Tudo isso foi apresentado sem qualquer menção aos desafios persistentes, às críticas à política econômica, ao peso dos impostos, ao endividamento público ou às dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros fora das estatísticas oficiais.
🗳️ Olhando para 2026 antes de virar o calendário
O trecho final do discurso deixa pouca dúvida sobre a intenção política: Lula projetou “a continuidade das políticas em 2026” e prometeu “entregar muito mais”, em uma clara sinalização eleitoral — ainda que a eleição esteja distante e o momento exigisse sobriedade, não autopromoção.
Usar uma mensagem de fim de ano, que deveria representar todos os brasileiros, como instrumento de marketing político pessoal, é no mínimo oportunista. O presidente fala como candidato, não como chefe de Estado.
🚫 Repúdio ao uso político da Presidência
A Presidência da República não é palanque permanente. Mensagens oficiais não devem servir para inflar narrativa eleitoral, exaltar governo de forma unilateral ou antecipar campanha com dinheiro, estrutura e visibilidade institucional.
O país precisa de liderança responsável, não de propaganda disfarçada de mensagem festiva. Transformar o Réveillon em ato político é desrespeito com quem pensa diferente e com quem espera equilíbrio de quem ocupa o cargo mais alto da nação.
👉 Mensagem de Ano-Novo não é comício. Governar não é fazer campanha o tempo todo.