🎤 Aplausos com hora marcada: Lula brilha no palco alheio, mas quero ver esse coro nas ruas

🎤 Aplausos com hora marcada: Lula brilha no palco alheio, mas quero ver esse coro nas ruas

No show de Bethânia, a plateia de esquerda aplaudiu o presidente como se fosse atração principal. É fácil fazer o “L” em camarote — difícil é sustentar o aplauso no calor da vida real.

Lula apareceu no show de Maria Bethânia em São Paulo e foi recebido como se estivesse voltando de uma turnê mundial. Aplausos, gritos e até coraçõezinhos feitos com as mãos — tudo no roteiro de um sábado perfeito para os fãs do governo. Ao lado de Janja, usando uma keffiyeh para reforçar o figurino político-cultural, o presidente parecia em casa.

Bethânia, claro, era a estrela da noite. Mas bastou Lula surgir para a plateia trocar o tom da música por slogans. Em vez de “Festa”, o refrão virou “Olê, olê, olê, olá…”. É o tipo de entusiasmo que brota fácil quando o ingresso é caro e o ambiente é seguro.

Porque, sejamos francos: é fácil aplaudir o presidente sob luzes quentes e ar-condicionado. Difícil é defender o mesmo governo na fila do posto de saúde, no açougue ou na conta de luz do fim do mês. No show, Lula é lenda viva. Na rua, é só mais um político tentando se equilibrar entre promessas e cobranças.

No palco, tudo é harmonia — até a política soa como poesia. Mas fora dali, o microfone é do povo, e a música é bem menos doce.

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