🎬 Ataque no exterior, aplauso em casa

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💰 Wagner Moura critica Bolsonaro lĂĄ fora, afina discurso com Lula e reacende debate sobre verba pĂșblica no cinema

Wagner Moura voltou a atacar Jair Bolsonaro — desta vez fora do Brasil — e o roteiro jĂĄ Ă© conhecido. Em meio Ă  campanha internacional de O Agente Secreto para o Oscar, o ator resolveu transformar entrevista em palanque, classificando o ex-presidente como “fĂŁ da ditadura” e pintando o perĂ­odo como um cenĂĄrio de perseguição artĂ­stica. O detalhe que nĂŁo passa despercebido: o discurso vem na mesma batida do atual governo Lula, justamente aquele que voltou a abrir os cofres para o setor cultural.

Durante conversa com um podcast norte-americano, Wagner repetiu acusaçÔes jĂĄ conhecidas, dizendo que viveu sob um “governo fascista” e que seu filme Marighella teria sido alvo de um boicote silencioso. Segundo ele, nĂŁo houve censura explĂ­cita, mas uma sĂ©rie de entraves burocrĂĄticos — argumento que, curiosamente, surge sempre que o dinheiro pĂșblico nĂŁo flui como esperado.

A ironia Ă© difĂ­cil de ignorar. Depois de anos reclamando da falta de apoio estatal, o cinema brasileiro voltou a respirar com recursos federais — alguns projetos chegando Ă  casa dos milhĂ”es de reais. E, como em todo bom enredo previsĂ­vel, o discurso polĂ­tico reaparece com força total, agora mirando Bolsonaro, enquanto Lula Ă© tratado como o salvador da cultura nacional.

Wagner chegou a afirmar que Bolsonaro “levou o filme para o lado pessoal” e relembrou episódios do passado, como o voto no impeachment de Dilma. Mas críticos veem a cena de outra forma: para muitos, o ator apenas passa o recibo, reforçando sua fidelidade ideológica a quem hoje controla a caneta e o orçamento.

O prĂłprio Wagner admitiu que atacar Bolsonaro nas redes nĂŁo teria o mesmo impacto que lançar um filme com viĂ©s polĂ­tico — o que levanta outra questĂŁo incĂŽmoda: atĂ© que ponto a arte vira instrumento de militĂąncia financiada pelo contribuinte?

Enquanto O Agente Secreto disputa prĂȘmios e o ator coleciona holofotes, o debate segue aberto. Para uns, trata-se de coragem artĂ­stica. Para outros, Ă© sĂł mais um capĂ­tulo do cinema alinhado ao poder, onde criticar o governo passado virou senha para garantir espaço, verba — e quem sabe — mais alguns milhĂ”es para o prĂłximo filme.

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