🎭 Quando falta pão, sobra samba no microfone do poder

🎭 Quando falta pão, sobra samba no microfone do poder

Enquanto o povo encara fila, imposto e aperto, Gleisi transforma a Câmara em passarela de Carnaval para cantar louvores a Lula

A Câmara dos Deputados virou palco, e não foi para debater o custo de vida, a insegurança ou o sufoco de quem vive de salário. Nesta terça-feira (10), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, resolveu soltar a voz e cantar um samba-enredo em homenagem a Lula durante a comemoração dos 46 anos do PT. Tudo isso no coração do Congresso, pago com o dinheiro do contribuinte.

Do alto da tribuna, Gleisi sugeriu que o público “curtisse o Carnaval” e aproveitasse o samba que exalta a trajetória do presidente. Como se o Brasil estivesse vivendo dias de folia, e não de contas atrasadas, comida mais cara e paciência no limite. Entre um verso e outro, a ministra entoou trechos que falam de fome e vida — ironicamente cantados por quem governa um país onde esses problemas seguem longe de solução.

A cena beirou o deboche. Enquanto milhões fazem malabarismo para fechar o mês, a ministra celebrou com alegria, palmas e slogans. “Sem falsos mitos e sem anistia”, disse, como se cantar resolvesse os dramas reais de quem pega ônibus lotado às seis da manhã.

No meio da festa política, Gleisi ainda listou supostos feitos do governo, como a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o chamado PL Antifacção — projetos que, na prática, ainda não mudaram a vida concreta do povo que ela diz representar. Também defendeu o fim da escala 6×1, proposta que segue emperrada enquanto discursos seguem soltos.

Para completar o espetáculo, Lula será homenageado no Carnaval pela escola Acadêmicos de Niterói, com um samba narrado em tom épico sobre sua história. A homenagem já virou alvo de questionamento no TSE, acusada de funcionar mais como propaganda antecipada do que como expressão cultural.

No fim das contas, o recado foi claro: enquanto o povo aperta o cinto, parte do poder prefere cantar. E canta alto, sorrindo, como se o Brasil estivesse em festa — quando, para muita gente, o enredo continua sendo de luta, cansaço e indignação.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags