
đ° Amarração com dinheiro pĂșblico: Justiça suspende contratos apĂłs denĂșncia contra vice-prefeita de Ribeira
MinistĂ©rio PĂșblico acusa gestora de usar R$ 41,2 mil do orçamento da saĂșde para pagar ritual espiritual e afastar coordenador da esposa
A cidade de Ribeira (SP), a menor do Vale do Ribeira, virou palco de um caso digno de roteiro de novela â mas com enredo policial. A Justiça acatou pedido do MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo e suspendeu contratos da Prefeitura com a empresa W.F. da Silva Treinamentos Ltda., de William Felipe da Silva, apĂłs denĂșncia de que recursos pĂșblicos teriam sido usados para pagar um âcasamento espiritualâ.
Segundo a acusação, a vice-prefeita e secretĂĄria de SaĂșde, Juliana Maria Teixeira da Costa, teria direcionado contratos e desviado R$ 41,2 mil do Fundo Municipal de SaĂșde para contratar uma mĂŁe de santo, conhecida como Mentora Samantha. O objetivo? Realizar uma âamarraçãoâ para aproximar o coordenador municipal de SaĂșde, Lauro OlegĂĄrio da Silva Filho, dela â e afastĂĄ-lo da esposa.
O MP afirma que a operação envolveu fraude em licitaçÔes, emissão de nota fiscal falsa e repasse imediato dos valores para terceiros. O suposto pagamento à mãe de santo foi revelado por prints divulgados nas redes sociais e denunciado por um vereador da cidade. Samantha teria confirmado a contratação.
A Justiça determinou que todos os contratos da Prefeitura com a empresa de William sejam suspensos e proibiu novos acordos até decisão contråria. Também afastou Juliana e Lauro de suas funçÔes e impÎs restriçÔes como a proibição de frequentar a prefeitura ou manter contato com testemunhas do caso.
Os denunciados respondem por associação criminosa, fraude Ă licitação, uso de documento falso, falsidade ideolĂłgica e peculato. O MinistĂ©rio PĂșblico pede ainda a devolução mĂnima do valor desviado.
Enquanto isso, a pequena Ribeira, com pouco mais de 3 mil habitantes, assiste atĂŽnita ao escĂąndalo que mistura polĂtica, dinheiro pĂșblico e ritual espiritual â um enredo que, apesar de inusitado, pode custar caro ao bolso e Ă credibilidade da cidade.