Eduardo Bolsonaro Enxerga ‘Luz no Fim do Telefone’

Eduardo Bolsonaro Enxerga ‘Luz no Fim do Telefone’

Após nova ligação entre Lula e Trump, deputado fala em “otimismo” e celebra o diálogo — justo ele, que passou meses comemorando sanções impostas ao próprio país.

O deputado Eduardo Bolsonaro decidiu adotar um novo tom após a mais recente ligação de 40 minutos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo ele, a notícia foi recebida “com otimismo” — um sentimento curioso vindo de alguém que, até outro dia, vibrava com tarifas e punições impostas pelos EUA ao Brasil.

A manifestação do parlamentar veio após Lula conversar com o presidente norte-americano sobre comércio, economia e crime organizado. Em sua conta no X (antigo Twitter), Eduardo afirmou que um “diálogo franco” pode abrir portas, desde que guiado por “princípios claros”. Para ele, sanções servem como reação a “violação séria”, não como um objetivo em si. Conveniente.

O deputado ainda exaltou a “liderança do presidente Trump” e disse acreditar que os EUA vão buscar um acordo que defenda seus interesses no hemisfério — sempre ressaltando que, para melhorar as relações bilaterais, o Brasil precisa enfrentar sua “crise institucional” e restaurar liberdades que, segundo ele, estariam ameaçadas.

Vale lembrar: Eduardo está morando nos Estados Unidos desde março. De lá, participou de atos contra autoridades brasileiras e chegou a se gabar de ter influenciado o governo Trump a elevar tarifas sobre produtos brasileiros e a impor restrições a ministros do STF. O famoso patriotismo transnacional.

Apesar disso, o vento mudou. Em novembro, a Casa Branca retirou tarifas de 40% sobre café, carne, frutas e petróleo, revertendo parte do tarifaço anunciado meses antes. Na explicação oficial, Trump citou diretamente as conversas que vem tendo com Lula — encontros e ligações que se intensificaram nos últimos dois meses.

Segundo o Planalto, a ligação mais recente foi “muito produtiva”. Lula celebrou a retirada de algumas barreiras comerciais, mas avisou que a pauta ainda tem pendências. Ele também insistiu na necessidade de cooperação contra crime organizado, mencionando operações brasileiras com ramificações no exterior.

Do outro lado, Trump teria demonstrado “plena disposição” para ampliar ações conjuntas — e ambos concordaram em retomar o diálogo em breve.

No fim das contas, Eduardo Bolsonaro, que antes via o Brasil como vilão, agora comemora o que chama de sinal de distensão. A diplomacia, ao que parece, continua sendo um espetáculo cheio de idas, voltas e conversões estratégicas.

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