💰 Licitação da COP30 vira caso de polícia: R$ 5 milhões, saques milionários e mensagens suspeitas

💰 Licitação da COP30 vira caso de polícia: R$ 5 milhões, saques milionários e mensagens suspeitas

Celular apreendido com PM ligado a deputado revela conversas que indicam um esquema de corrupção em contrato de R$ 142 milhões para a conferência climática no Pará.

O que era para ser apenas uma conferência internacional sobre mudanças climáticas, a COP30, está agora no centro de um enredo digno de filme policial — com malas de dinheiro, mensagens cifradas e personagens com acesso direto ao poder.

Tudo começou em 4 de outubro de 2024, dois dias antes das eleições municipais. Uma denúncia anônima levou a Polícia Federal a uma agência do Banco do Brasil, em Castanhal, interior do Pará. Lá, agentes surpreenderam o policial militar Francisco Galhardo com nada menos que R$ 5 milhões em espécie. Do lado de fora do banco, Galhardo foi flagrado entregando R$ 380 mil a Geremias Hungria. Ambos foram presos em flagrante, acusados de compra de votos.

O que ninguém imaginava é que o celular apreendido com o PM abriria as portas para algo muito maior: suspeitas de corrupção envolvendo uma licitação milionária do governo do Pará para a COP30.

As mensagens revelaram que Galhardo não era apenas um PM — ele atuava como braço direito do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), cuidando da segurança, mas também de saques e transporte de grandes quantias de dinheiro. Entre 2023 e 2024, segundo dados do Coaf, Galhardo retirou R$ 48,8 milhões de contas ligadas a duas construtoras: a J.A Construcons, da esposa do deputado, Andréa Dantas, e a JAC Engenharia, em nome de Geremias Hungria, o mesmo preso ao receber parte do dinheiro.

As duas empresas, curiosamente, venceram contratos bilionários no Pará, incluindo duas licitações para obras da COP30: uma de R$ 142 milhões e outra de R$ 123 milhões. É justamente na primeira que a Procuradoria-Geral da República (PGR) vê indícios robustos de corrupção.

Nos diálogos encontrados, Galhardo troca mensagens com o secretário de Obras do Pará, Ruy Cabral. Em 20 de setembro de 2024 — dia em que o consórcio das empresas ligadas ao deputado venceu a licitação — o PM sacou R$ 6 milhões e tentou se encontrar com o secretário. As conversas, com frases curtas como “Vem”, “Entra. Vem. Na minha porta atrás” e “Meu chefe, deixei com a Andreia”, reforçaram para os investigadores a suspeita de que se tratava da entrega de propina.

Quatro dias depois, os dois finalmente se encontraram. Para a PGR, não há dúvidas: o caso envolve crimes como corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e possível formação de organização criminosa. O pedido de abertura de inquérito no STF atinge o deputado Antônio Doido, sua esposa Andréa, o secretário Ruy Cabral e o PM Francisco Galhardo.

O que seria apenas um evento climático internacional no Pará agora carrega um rastro de saques milionários, contratos suspeitos e uma nuvem pesada sobre a lisura da COP30.

Fonte e Créditos: Metrópoles

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