
⚖️ “A Justiça pode até ser cega, mas não é ingênua”: Moraes manda Bolsonaro para prisão domiciliar
Ministro do STF acusa ex-presidente de desafiar a lei e usar aliados para incitar ataques às instituições, violando medidas cautelares pela segunda vez.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta segunda-feira (4) que Jair Bolsonaro cumpra prisão domiciliar. A decisão veio após o ex-presidente, segundo o magistrado, ignorar de forma reiterada as restrições impostas pela Corte — como quem desafia a própria Justiça para ver até onde ela suporta.
Moraes foi enfático: “A Justiça é cega, mas não é tola”. Ele afirmou que não permitirá que um réu tente enganar o Judiciário acreditando que sua influência política ou poder econômico o blindam de punições. Para ele, todos são iguais perante a lei — e quem descumpre as regras deve enfrentar as consequências.
A lista de violações é extensa. Bolsonaro, mesmo proibido de usar redes sociais ou de se manifestar politicamente por meio de terceiros, apareceu em transmissões de aliados como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, criticando o STF, exaltando apoio internacional e incentivando manifestações com viés político.
Na decisão, Moraes apontou que a conduta do ex-presidente foi “deliberada e consciente” para obstruir investigações, pressionar autoridades e instigar a opinião pública contra o Judiciário. Segundo o ministro, Bolsonaro utilizou as redes sociais de aliados e de seus próprios filhos parlamentares para difundir mensagens que incentivavam ataques ao STF e até defendiam interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil.
As primeiras medidas cautelares haviam sido definidas em julho: uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e nos fins de semana, proibição de entrar em embaixadas e bloqueio de acesso a redes sociais. Mas, para Moraes, Bolsonaro não apenas desrespeitou tais ordens — fez isso de forma planejada, repetida e provocativa.
Agora, além de permanecer em casa, o ex-presidente terá visitas, comunicações e aparições públicas rigidamente controladas. Como reforçou Moraes, a Justiça não pode — e não vai — se deixar fazer de tola.