💸 Dinheiro para os mortos: governo paga R$ 4,4 bilhões a pessoas já falecidas

💸 Dinheiro para os mortos: governo paga R$ 4,4 bilhões a pessoas já falecidas

Auditoria do TCU revela rombo bilionário causado por falhas nos sistemas de registro de óbitos; pagamentos indevidos ocorreram entre 2016 e 2025

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um erro estarrecedor: o governo brasileiro desembolsou R$ 4,4 bilhões entre 2016 e 2025 em pagamentos de benefícios a mais de 275 mil pessoas que já haviam falecido. A descoberta veio à tona por meio de uma auditoria que apontou falhas graves nos cruzamentos de dados entre diferentes sistemas de informação do governo.

Segundo o relatório, mais de 90% dos valores pagos indevidamente estão ligados ao INSS. Em fevereiro de 2025, por exemplo, o sistema chegou a liberar benefícios previdenciários para mil pessoas já registradas como mortas, gerando um prejuízo de R$ 21,2 milhões só nesse mês.

A análise revelou ainda que um terço das informações no sistema Sirc (Sistema Nacional de Informações de Registro Civil), administrado pela Dataprev, estão incompletas ou mal preenchidas. O problema é agravado pela falta de integração com outras bases de dados, como as da Receita Federal e do Ministério da Saúde.

Entre os absurdos verificados pela equipe técnica, estão pagamentos de benefícios a 650 servidores públicos com indícios de falecimento (R$ 3,6 milhões) e até mesmo repasses do Bolsa Família a quase mil mortos, totalizando R$ 580 mil.

De forma preocupante, os cartórios — responsáveis por comunicar oficialmente os óbitos em até 24 horas — não têm cumprido a obrigação com precisão. O Sirc, segundo o TCU, não contém todos os registros de óbitos do país. Estima-se que faltem cerca de 13,1 milhões de registros nos sistemas oficiais, o que abre brecha para pagamentos indevidos de diversos tipos de benefícios, incluindo aposentadorias, auxílios e salários de servidores.

Diante do cenário, o TCU exigiu do INSS uma convocação imediata de quem recebeu pagamentos indevidos, além de cobrar, em até 90 dias, um plano de ação conjunto com a Corregedoria Nacional de Justiça para integrar e modernizar os sistemas.

O caso escancara a fragilidade da gestão de dados públicos no Brasil e levanta uma pergunta perturbadora: quantos outros bilhões estão sendo enterrados sem que ninguém perceba?

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