
Mesmo sob pressão internacional, Moraes mantém julgamento de Bolsonaro em setembro
Sanção dos EUA não muda planos do STF; processo contra o ex-presidente por tentativa de golpe segue em ritmo final
Apesar da tensão gerada pela sanção imposta pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) não vai alterar o calendário do julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis acusados por tentativa de golpe. A sessão, marcada para setembro, continua confirmada.
Fontes próximas ao STF revelaram ao portal R7 que Moraes não cogita adiar o processo, mesmo após ser incluído na chamada Lei Magnitsky — legislação norte-americana que pune envolvidos em corrupção e violações de direitos humanos. Segundo apuração, os réus têm até 15 dias para apresentar suas alegações finais, último passo antes do julgamento em plenário.
A sanção dos EUA, anunciada nesta quarta-feira (30), impõe restrições como o bloqueio de bens em território americano e a proibição de entrada no país. No entanto, a medida parece simbólica no caso de Moraes: o ministro não possui ativos nos Estados Unidos, tampouco mantém vínculo financeiro ou visto válido.
Ainda assim, a reação do governo americano elevou o tom político do caso. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou Moraes de liderar uma “caça às bruxas” contra interesses norte-americanos e seus cidadãos, sem apresentar provas concretas.
A expectativa é de que o Supremo se manifeste oficialmente sobre o tema na sexta-feira (1º), quando os trabalhos retornam do recesso. Moraes, ao que tudo indica, também comentará o episódio publicamente.
A Lei Magnitsky, criada em 2012 durante o governo Obama, permite que os EUA apliquem sanções unilaterais a pessoas de qualquer nacionalidade envolvidas em corrupção ou abusos de direitos humanos. Desde 2016, ela foi ampliada e usada como instrumento de pressão geopolítica por diferentes administrações americanas.
Enquanto o clima esfria nas relações entre Brasília e Washington, o STF segue seu caminho, decidido a levar a julgamento uma das ações mais simbólicas da história recente do país — com ou sem o aval dos Estados Unidos.