
đ± Celular de empresĂĄrio Ă© apreendido em meio a silĂȘncio e tensĂŁo na CPMI do INSS
Protegido por habeas corpus do STF, dirigente de associação suspeita de desviar milhĂ”es se recusou a responder perguntas; comissĂŁo aprovou apreensĂŁo do aparelho para perĂcia.
O clima ficou tenso na CPMI do INSS nesta segunda-feira (10), quando o empresårio Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social do Aposentado e Pensionista (AASAP), teve o celular apreendido durante seu depoimento. A entidade é suspeita de envolvimento em um dos maiores esquemas de fraudes contra aposentados, com movimentaçÔes que chegam a R$ 700 milhÔes.
Delecrode chegou ao Senado amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que irritou o presidente da comissĂŁo, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Logo no inĂcio da sessĂŁo, ele criticou duramente a decisĂŁo da Corte. Mesmo sob pressĂŁo dos parlamentares, o depoente optou pelo silĂȘncio durante toda a oitiva.
No fim da noite, por volta das 19h30, o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (UniĂŁo Brasil-AL), apresentou um requerimento solicitando a apreensĂŁo do celular do empresĂĄrio e o acesso a conversas em aplicativos de mensagens. A proposta foi aprovada de imediato. Viana, entĂŁo, tomou o aparelho das mĂŁos do depoente e o entregou Ă PolĂcia Legislativa do Senado, que lacrou o dispositivo e o encaminhou para perĂcia tĂ©cnica.
đ EscĂąndalo revelado pela imprensa
A fraude veio Ă tona apĂłs uma sĂ©rie de reportagens do MetrĂłpoles, publicadas desde dezembro de 2023, que mostraram como associaçÔes ligadas a servidores e empresĂĄrios multiplicaram suas arrecadaçÔes com descontos ilegais em benefĂcios previdenciĂĄrios. Em apenas um ano, o valor saltou para cerca de R$ 2 bilhĂ”es.
As denĂșncias levaram Ă abertura de inquĂ©ritos da PolĂcia Federal (PF) e Ă atuação da Controladoria-Geral da UniĂŁo (CGU). As investigaçÔes resultaram na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril, que provocou a queda do entĂŁo presidente do INSS e do ex-ministro da PrevidĂȘncia, Carlos Lupi.
đ Documentos e revelaçÔes
RelatĂłrios do Coaf e documentos apreendidos mostram que parte do dinheiro arrecadado pela associação foi desviado para empresas ligadas aos prĂłprios dirigentes. HĂĄ tambĂ©m indĂcios de que o grupo criou um sistema prĂłprio de biometria para falsificar assinaturas de aposentados, alĂ©m de utilizar os recursos em carros de luxo, joias e embarcaçÔes.
Entre as empresas envolvidas estĂŁo fintechs e construtoras sediadas em Alphaville, bairro nobre de Barueri (SP), onde alguns dos investigados mantĂȘm casas de alto padrĂŁo.
đŹ O caso, que mistura corrupção, silĂȘncio e privilĂ©gios jurĂdicos, expĂ”e uma ferida antiga da mĂĄquina pĂșblica: a facilidade com que interesses privados conseguem se infiltrar em estruturas criadas para proteger os mais vulnerĂĄveis.