Haddad aposta em fundo florestal bilionário e defende que Brasil está mais perto do equilíbrio fiscal

Haddad aposta em fundo florestal bilionário e defende que Brasil está mais perto do equilíbrio fiscal

Ministro da Fazenda prevê que o Fundo Florestas para Sempre ultrapasse os US$ 10 bilhões ainda durante a presidência brasileira na COP30 e afirma que a arrecadação positiva pode aproximar o país da meta de déficit zero.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, demonstrou otimismo nesta segunda-feira (10) ao falar sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), principal iniciativa ambiental do governo brasileiro apresentada durante a COP30, em Belém. Segundo ele, há expectativa de que o fundo ultrapasse os US$ 10 bilhões em aportes até o fim da presidência do Brasil na conferência.

Em entrevista à CNN Brasil, Haddad afirmou que a Alemanha — que ainda não anunciou oficialmente o valor de sua contribuição — deve confirmar o montante até o fim do ano. Além dos alemães, países como China, Emirados Árabes Unidos e Holanda já demonstraram apoio à proposta.

Com um tom confiante, o ministro disse acreditar que o fundo poderá se tornar um marco de cooperação internacional para a preservação das florestas tropicais e a transição verde. “O interesse internacional é real. O mundo está olhando para o Brasil como referência nessa agenda”, afirmou.

No campo fiscal, Haddad também tentou transmitir um ar de estabilidade. Segundo ele, se a arrecadação federal continuar forte, o país deve chegar “bem perto do centro da meta” de déficit primário zero em 2025. Ele explicou que o chamado empoçamento — valores autorizados mas não gastos por ministérios — deve ajudar a melhorar o resultado das contas públicas, como ocorreu no ano anterior.

“Se a arrecadação continuar vindo bem, o mesmo fenômeno deve se repetir. O empoçamento traz o resultado fiscal para próximo do equilíbrio”, disse. O ministro lembrou que a meta do governo é de resultado primário zero, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.

Questionado sobre política monetária, Haddad elogiou o trabalho de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central e defendeu que a instituição tem papel mais amplo do que apenas definir a taxa Selic. “O Banco Central é mais do que a Selic. Ele tem uma série de funções para garantir o bom funcionamento do sistema financeiro”, ressaltou.

Mesmo após o BC manter os juros em 15% ao ano, Haddad voltou a afirmar que há espaço para reduções — uma posição que, segundo ele, também é compartilhada por economistas e bancos.

Encerrando a entrevista, o ministro avaliou que a situação fiscal do país “está muito melhor do que em anos anteriores” e que o governo tem conseguido corrigir desequilíbrios herdados de gestões passadas.

Com tom sereno, Haddad tenta equilibrar dois mundos: o das metas fiscais e o das metas climáticas — ambos dependentes, como ele próprio admitiu, da confiança internacional no rumo que o Brasil escolheu seguir.

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