
đš Condenada por corrupção, ex-primeira-dama do Peru se esconde atrĂĄs do asilo e tenta barrar prisĂŁo no STF
Nadine Heredia, esposa do ex-presidente Ollanta Humala, condenada por receber propina da Odebrecht, agora busca proteção no Supremo brasileiro para evitar extradição e anular provas.
Condenada por corrupção e lavagem de dinheiro, a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, tenta agora transformar o asilo diplomĂĄtico concedido pelo Brasil em escudo contra a Justiça do prĂłprio paĂs. Ela entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir qualquer ordem de prisĂŁo ou extradição, alegando que as provas usadas contra ela seriam âilĂcitasâ.
Heredia Ă© esposa do ex-presidente Ollanta Humala, e ambos foram sentenciados a 15 anos de prisĂŁo por receber propinas da empreiteira Odebrecht durante as campanhas eleitorais de 2006 e 2011. Enquanto Humala cumpre pena no Peru, Nadine conseguiu abrigo polĂtico no Brasil â e foi trazida em um voo da Força AĂ©rea Brasileira (FAB), em um gesto que muitos consideraram um desrespeito Ă soberania peruana.
Mesmo com o asilo, a Justiça do Peru emitiu um novo mandado de prisĂŁo, e a defesa da ex-primeira-dama tenta agora usar o STF como Ășltima barreira para escapar das consequĂȘncias. Os advogados pedem que o caso seja analisado pelo ministro Dias Toffoli, conhecido por decisĂ”es que favoreceram investigados da Operação Lava Jato e por ter anulado provas da Odebrecht sob o argumento de âfalta de cadeia de custĂłdiaâ.
Em petição ao Supremo, a defesa afirma que permitir a prisĂŁo de Heredia seria âcooperar com um processo baseado em prova ilĂcitaâ. Curiosamente, o mesmo discurso que sustentou a anulação de provas contra polĂticos e empresĂĄrios brasileiros envolvidos no maior escĂąndalo de corrupção da histĂłria recente.
Em 2023, Toffoli jĂĄ havia beneficiado o ex-presidente Humala, invalidando as provas da empreiteira. Agora, Nadine tenta ampliar o alcance dessa decisĂŁo para si, alegando que responde âaos mesmos fatos e na mesma ação penalâ.
A manobra, porĂ©m, causa indignação. Afinal, trata-se de uma figura pĂșblica condenada por corrupção, que, em vez de enfrentar a Justiça do prĂłprio paĂs, busca abrigo polĂtico e jurĂdico em outro â e justamente em um tribunal que tem se mostrado cada vez mais tolerante com os poderosos.
A tentativa de transformar o Brasil em refĂșgio de condenados por corrupção estrangeiros levanta questionamentos graves: atĂ© que ponto o STF deve servir de abrigo polĂtico para quem jĂĄ foi condenado por crimes comprovados?