
đ« Justiça no banco de trĂĄs: vereadora e advogado enfrentam AGU por defesa de Janja
AGU entra em campo para proteger Janja, e dupla questiona uso de dinheiro pĂșblico em viagens internacionais da primeira-dama
O vereador Guilherme Kister (Novo-PR), de Curitiba, e o advogado Jeffrey Chiquini decidiram levar Ă Justiça uma nova ofensiva contra a atuação da Advocacia-Geral da UniĂŁo (AGU), que estĂĄ representando a primeira-dama RosĂąngela da Silva â a Janja â em um processo que investiga o uso de recursos pĂșblicos e aviĂ”es da Força AĂ©rea Brasileira (FAB) em suas viagens ao exterior.
A ação foi protocolada ainda em maio, e a dupla aguarda agora que a Justiça abra prazo para apresentar uma contestação formal. Além de barrar o custeio dessas viagens com dinheiro da União, os autores da ação exigem que tanto Janja quanto o governo devolvam os valores jå gastos.
O caso ganhou novos contornos no fim de junho, quando a AGU solicitou o arquivamento do processo. O ĂłrgĂŁo argumentou que a Justiça jĂĄ havia negado uma liminar por falta de provas de prejuĂzo ao erĂĄrio ou ilegalidade nas viagens da primeira-dama.
Para Kister e Chiquini, no entanto, nĂŁo hĂĄ justificativa legal para que a AGU defenda Janja, uma vez que a ação nĂŁo foi movida contra o governo, mas sim contra ela como pessoa fĂsica.
Nas redes sociais, Chiquini nĂŁo poupou crĂticas: âVou impugnar mais essa aberração jurĂdica e esculacho com o dinheiro do povoâ, escreveu. JĂĄ o vereador usou seu canal no YouTube para acusar a AGU de estar sendo âinstrumentalizadaâ para proteger alguĂ©m que sequer ocupa um cargo pĂșblico. âAlĂ©m de bancar as viagens, agora pagamos a defesa dela tambĂ©mâ, afirmou ao EstadĂŁo.
A AGU, por sua vez, se defende com base na norma interna nÂș 94, publicada em abril de 2025. Segundo o ĂłrgĂŁo, Janja exerce um papel simbĂłlico e representativo em nome do presidente, o que justifica a defesa pĂșblica â e a considera, por isso, uma agente honorĂfica do Estado.
O ministro Jorge Messias, chefe da AGU, reforçou que a ação representa mais uma tentativa de gerar constrangimento ao Estado com intençÔes meramente polĂticas. âMuitas dessas açÔes populares visam apenas repercussĂŁo, mesmo quando os temas jĂĄ estĂŁo amplamente esclarecidosâ, declarou.
Entre os destinos internacionais contestados estão Nova York (março de 2024), Roma (fevereiro e abril de 2025), Paris (março de 2025), além de Moscou e São Petersburgo (maio de 2025). A defesa de Janja sustenta que todos os deslocamentos foram parte de compromissos oficiais, representando o Brasil.