🎭 Enquanto o povo aperta o cinto, o poder cai no samba

🎭 Enquanto o povo aperta o cinto, o poder cai no samba

💃 Janja dança no Carnaval e o Brasil desfila no vermelho das contas públicas

Em meio a rombos bilionários, escândalos no INSS e casos mal explicados envolvendo instituições financeiras como o Banco Master, a primeira-dama Janja Lula da Silva resolveu marcar presença onde o clima é de festa — não de cobrança. Na última sexta-feira (6), ela apareceu sorridente no ensaio técnico da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, que vai à Sapucaí com um enredo inteiramente dedicado ao presidente Lula.

Debaixo de chuva, Janja sambou, cumprimentou apoiadores e posou para fotos ao lado da ministra Anielle Franco. Nas redes sociais, a escola celebrou o momento com frases de efeito sobre “amor vencendo o medo”, enquanto do lado de fora da avenida o brasileiro comum tenta entender como pagar contas, lidar com cortes, atrasos e um sistema previdenciário cada vez mais pressionado.

O enredo — “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” — transforma a trajetória política do presidente em espetáculo carnavalesco, com direito a trilha sonora assinada por nomes consagrados do samba. Tudo embalado por uma estética grandiosa, como se o país estivesse vivendo um conto de superação, e não uma sequência de alertas fiscais e denúncias administrativas.

A polêmica não é o samba. O problema é o dinheiro. A homenagem ganhou outro tom quando veio à tona um contrato de R$ 12 milhões entre a Embratur e a Liesa, prevendo o repasse de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, sob a justificativa de “promoção do turismo internacional”. O TCU acendeu o sinal vermelho e pediu a suspensão parcial dos recursos, levantando dúvidas óbvias: faz sentido usar verba pública para exaltar um presidente em pleno exercício do cargo?

Enquanto isso, o país acompanha escândalos envolvendo o INSS, com falhas graves, rombos e suspeitas de má gestão, além de casos financeiros nebulosos, como o do Banco Master, que ampliam a sensação de descontrole e falta de prioridade. Mas nada disso parece atrapalhar o clima carnavalesco do Planalto.

Aliados do governo correm para normalizar a situação, dizendo que repasses semelhantes já ocorreram em outros anos e que o contrato é com a Liga, não com as escolas. Um argumento técnico para um problema essencialmente político. Já na oposição, a reação foi imediata: o caso foi levado ao Ministério Público Eleitoral, com o alerta de que o desfile pode virar palanque disfarçado de alegoria.

No fim, a imagem que fica é difícil de ignorar: enquanto o brasileiro samba para fechar as contas no fim do mês, o governo samba na avenida, embalado por dinheiro público, aplausos ensaiados e uma trilha sonora que tenta abafar o barulho dos escândalos. O carnaval passa. O rombo fica.

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