
đ Trump e o Nobel da Paz: especialistas apontam mais fumaça que fogo na candidatura do presidente
Apesar de acordo em Gaza e mobilização midiĂĄtica, chances do lĂder americano de ganhar o prĂȘmio em 2025 sĂŁo avaliadas como remotas por veteranos do Nobel.
STAVANGER, NORUEGA â A recente mediação de Donald Trump no conflito entre Israel e Hamas trouxe novamente seu nome para o radar do PrĂȘmio Nobel da Paz, cuja decisĂŁo serĂĄ anunciada nesta sexta-feira (10). O anĂșncio do acordo em Gaza reacendeu discussĂ”es sobre se o presidente dos EUA merece o reconhecimento internacional â mas especialistas alertam que o cenĂĄrio Ă© mais complexo do que manchetes sugerem.
Quem acompanha de perto a tradição do ComitĂȘ NorueguĂȘs do Nobel lembra que, geralmente, os vencedores sĂŁo escolhidos por açÔes de longo prazo que promovem a paz duradoura, a fraternidade global e a cooperação entre instituiçÔes internacionais. Nesse contexto, o histĂłrico de Trump, marcado pelo ceticismo com organizaçÔes multilaterais e postura crĂtica sobre mudanças climĂĄticas, pode pesar contra ele.
Desde seu primeiro mandato, Trump busca visibilidade para o Nobel, chegando a afirmar, em discurso na ONU no mĂȘs passado: âTodos dizem que eu deveria receber o PrĂȘmio Nobel da Pazâ. Apesar da insistĂȘncia, ninguĂ©m pode se autoindicar, e o comitĂȘ trabalha em sigilo, sem influĂȘncia direta da retĂłrica pĂșblica.
Trump jĂĄ foi indicado por figuras polĂticas nos EUA e no exterior diversas vezes desde 2018, incluindo a deputada Claudia Tenney, por sua mediação nos Acordos de AbraĂŁo, que aproximaram Israel e alguns paĂses ĂĄrabes em 2020. Mais recentemente, Netanyahu e o governo do PaquistĂŁo tambĂ©m indicaram seu nome, embora fora do prazo oficial para a premiação de 2025.
Para analistas, entretanto, resolver conflitos temporariamente nĂŁo garante o Nobel. Theo Zenou, historiador da Henry Jackson Society, destaca que o comitĂȘ valoriza esforços sustentĂĄveis e multilaterais, e que açÔes rĂĄpidas, como o cessar-fogo em Gaza, nĂŁo comprovam mudanças estruturais ou duradouras.
Zenou ainda pontua que a postura de Trump sobre o clima e seu estilo combativo nĂŁo se alinham com o perfil histĂłrico de laureados, que normalmente simbolizam cooperação, reconciliação e visĂŁo global de longo prazo. Segundo ele, ânĂŁo creio que o Nobel seria concedido a alguĂ©m que ignora os desafios mais profundos para a paz mundialâ.
A candidatura de Trump ao prĂȘmio divide opiniĂ”es e provoca torcidas e protestos midiĂĄticos, mas veteranos do Nobel reforçam: retĂłrica grandiosa nĂŁo substitui impacto duradouro. Para especialistas, as chances de Trump em 2025 permanecem mais simbĂłlicas do que reais, apesar da euforia em torno do cessar-fogo em Gaza.