
PF apreende três carros de luxo ligados ao “Careca do INSS” em Brasília durante nova ofensiva da Operação Sem Desconto
Audi R8 5.2 V10, BMW M5 e Chevrolet Opala Diplomata foram encontrados em vagas privativas de uma garagem no Distrito Federal; segundo a Polícia Federal, medida busca “descapitalizar” um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões
A Polícia Federal voltou a atingir o patrimônio atribuído ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, nesta terça-feira (21), em Brasília. Em uma nova ação ligada à Operação Sem Desconto, agentes apreenderam três veículos que estavam em uma garagem no Distrito Federal e que, segundo as investigações, pertencem ou estão relacionados ao investigado.
A apreensão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação faz parte da investigação sobre um suposto esquema nacional de descontos associativos realizados sem autorização em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os veículos apreendidos foram:
- Audi R8 5.2 V10;
- BMW M5;
- Chevrolet Opala Diplomata.
A ação chama atenção não apenas pelo número de veículos, mas também pelo perfil dos automóveis. O Audi R8 e o BMW M5 são modelos de alto valor no mercado, enquanto o Opala Diplomata é um veículo clássico valorizado por colecionadores.
Segundo estimativas divulgadas na investigação, o Audi R8 5.2 V10 pode valer entre R$ 700 mil e R$ 2 milhões. O BMW M5 é estimado entre R$ 250 mil e R$ 750 mil, enquanto o Chevrolet Opala Diplomata pode alcançar valores entre R$ 49 mil e R$ 100 mil, dependendo do estado de conservação, versão e características do exemplar.

Carros estavam em garagem com vagas privativas
A existência dos veículos já havia sido identificada pelos investigadores durante o avanço da apuração. O paradeiro dos automóveis, no entanto, não havia sido localizado anteriormente.
De acordo com informações obtidas durante a investigação, os carros estavam em vagas privativas de um edifício no centro de Brasília. A Polícia Federal divulgou imagens da operação e dos veículos apreendidos.
A ofensiva foi realizada depois que as autoridades identificaram os bens como parte do patrimônio que poderia estar relacionado ao investigado. A PF afirmou que a medida tem como objetivo “descapitalizar” o investigado, apontado como um dos principais operadores do esquema criminoso sob investigação.
A estratégia representa uma nova etapa da Operação Sem Desconto: além de identificar os responsáveis pelos descontos indevidos, as autoridades passaram a buscar bens que possam ter sido adquiridos ou ocultados com recursos provenientes das atividades investigadas.
Defesa diz que informou a existência dos veículos em 2025
A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes contestou a forma como a apreensão foi apresentada e afirmou que já havia informado à Justiça sobre a existência dos automóveis.
Segundo os advogados, em outubro de 2025, a defesa comunicou nos autos que havia veículos que ainda não tinham sido apreendidos apesar de uma ordem judicial anterior.
Os advogados afirmam que, naquela ocasião, indicaram a localização dos bens e os colocaram à disposição das autoridades.
A defesa também declarou que reiterou a informação em diferentes momentos e que os veículos permaneceram permanentemente disponíveis para eventual apreensão.
A versão apresentada pelos advogados é que não teria havido tentativa de ocultar ou dilapidar o patrimônio. A defesa sustenta que a localização dos carros já havia sido comunicada às autoridades e que os bens estavam à disposição para serem recolhidos.
Não é a primeira apreensão de veículos de luxo atribuídos ao investigado
A nova ação da Polícia Federal ocorre meses depois de outras apreensões de veículos relacionados ao “Careca do INSS”.
Em março, o ministro André Mendonça autorizou que carros e motocicletas apreendidos em etapas anteriores fossem encaminhados a leilão. O conjunto de bens foi avaliado em aproximadamente R$ 6,6 milhões.
A medida demonstrou que a investigação passou a atingir diretamente o patrimônio dos envolvidos. A lógica adotada pelas autoridades é impedir que bens eventualmente relacionados ao esquema sejam vendidos, transferidos ou ocultados durante o andamento do processo.
Com a nova apreensão, o patrimônio atribuído ao lobista volta ao centro da investigação.
Operação investiga descontos não autorizados em aposentadorias
A Operação Sem Desconto investiga um esquema nacional de descontos associativos supostamente realizados sem autorização em benefícios previdenciários.
A apuração busca esclarecer como aposentados e pensionistas tiveram valores descontados de seus benefícios e quais entidades, empresas, intermediários e agentes públicos teriam participado da estrutura.
Além das fraudes nos descontos, a Polícia Federal também investiga suspeitas de:
- organização criminosa;
- estelionato previdenciário;
- ocultação de patrimônio;
- dilapidação de bens.
Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pelas autoridades como um dos principais operadores do esquema investigado.
PF concluiu primeiro inquérito e indiciou 48 pessoas
A nova apreensão ocorreu poucos dias depois de a Polícia Federal concluir a primeira investigação da Operação Sem Desconto.
O relatório possui 265 páginas e resultou no indiciamento de 48 pessoas. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça e deverá seguir para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR poderá apresentar denúncia à Justiça, pedir o arquivamento do caso ou solicitar novas diligências antes de decidir os próximos passos.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o próprio Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Os investigados citados permanecem presos preventivamente desde o ano passado, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
Apreensão reforça pressão sobre o patrimônio investigado
A operação desta terça-feira acrescenta três veículos de alto valor ao conjunto de bens alcançados pelas investigações: um Audi R8 5.2 V10, um BMW M5 e um Chevrolet Opala Diplomata.
A Polícia Federal sustenta que a apreensão faz parte de uma estratégia para impedir a movimentação de patrimônio que possa estar relacionado ao esquema investigado. A defesa, por outro lado, afirma que a localização dos veículos já havia sido informada às autoridades desde 2025.
Enquanto a investigação avança, os três carros permanecem sob custódia das autoridades e deverão ser submetidos aos procedimentos legais relacionados à apreensão e à eventual destinação dos bens.
O caso agora segue para novas etapas de análise patrimonial e criminal, enquanto a PGR avalia as conclusões do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e decide quais medidas serão tomadas contra os 48 indiciados.