
đŁ Indicado de Lula preso: a farra bilionĂĄria do INSS que enganou aposentados
De um lado, apadrinhados do governo Lula; do outro, figuras da era Bolsonaro. No centro, uma fraude que desviou bilhĂ”es de aposentados e pensionistas â e escancara que, quando o assunto Ă© corrupção, a sigla pouco importa.
A PolĂcia Federal desvendou mais um capĂtulo daquilo que parece ser o retrato perfeito da promiscuidade entre polĂtica e poder. A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (13), mirou altos dirigentes do INSS, empresĂĄrios e sindicalistas que estariam envolvidos em um esquema bilionĂĄrio de descontos ilegais em aposentadorias e pensĂ”es.
Entre os presos estĂĄ Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS indicado pelo governo Lula. JĂĄ o ex-ministro da PrevidĂȘncia de Bolsonaro, JosĂ© Carlos Oliveira, passou a usar tornozeleira eletrĂŽnica. A lista de investigados ainda inclui deputados federais e estaduais de partidos tĂŁo distintos quanto PSB e Republicanos â a prova viva de que, quando se trata de meter a mĂŁo no dinheiro pĂșblico, nĂŁo hĂĄ ideologia que segure.
đž O escĂąndalo que sangrou os aposentados
A operação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 63 de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal.
Entre os investigados tambĂ©m estĂŁo dirigentes da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) â apontada como a entidade que mais lucrou com o golpe. Segundo a PF, os valores desviados saltaram de R$ 400 mil em 2019 para R$ 202 milhĂ”es em 2023, um crescimento digno de filme de ficção.
O esquema funcionava assim: descontos eram feitos diretamente na aposentadoria dos segurados, sem qualquer autorização, e repassados a entidades âparceirasâ. O resultado? Um rombo estimado em R$ 6 bilhĂ”es.
âïž Um paĂs refĂ©m de seus prĂłprios corruptos
Enquanto os aposentados contavam moedas para comprar remĂ©dios, os engravatados do poder faziam festa com o dinheiro pĂșblico. Um golpe que atravessou governos, partidos e ideologias, mostrando que, no Brasil, a corrupção Ă© o verdadeiro partido majoritĂĄrio.
A defesa de Stefanutto classificou a prisĂŁo como âilegalâ, alegando que ele âcoopera com as investigaçÔesâ. Mas o fato Ă© que, nos Ășltimos anos, quem deveria proteger o segurado virou o predador do benefĂcio.
E o silĂȘncio das autoridades, especialmente das que vivem discursando sobre âjustiça socialâ e âdefesa do povoâ, Ă© ensurdecedor.
đĄ Vergonha sem bandeira
Lula indicou. Bolsonaro tambĂ©m. Deputados de esquerda e de direita aparecem no mesmo enredo. A corrupção, no fim das contas, Ă© o Ășnico ponto de uniĂŁo nacional.
Enquanto os velhos e trabalhadores seguem sendo saqueados em nome de âassociaçÔesâ, o sistema polĂtico continua ileso â blindado pelo cinismo e pela impunidade. O Brasil, mais uma vez, mostra que o crime compensa⊠desde que o crachĂĄ seja o certo.