đŸ’„ CĂąmara dĂĄ freio no governo e barra tentativa de regular redes sociais

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ComissĂŁo de IA rejeita manobra do Planalto para emplacar controle digital; fala de Lula e Janja na China sĂł piora crise

O governo tentou mais uma vez, mas levou outro nĂŁo. A CĂąmara dos Deputados deixou claro que nĂŁo vai aceitar a tentativa do PalĂĄcio do Planalto de embutir, na marra, a regulação das redes sociais dentro do projeto que trata de inteligĂȘncia artificial (IA) no Brasil.

A ideia do governo era aproveitar a criação da Comissão Especial sobre IA para emplacar, de tabela, regras para as plataformas digitais. Mas a manobra não colou. Parlamentares de diferentes partidos, inclusive da base, rejeitaram a investida, especialmente após as falas controversas do presidente Lula e da primeira-dama, Janja, durante a visita oficial à China, onde criticaram diretamente o TikTok.

A presidente da comissĂŁo, deputada LuĂ­sa Canziani (PSD-PR), foi taxativa:
— Nossa missĂŁo Ă© tratar exclusivamente da IA. NĂŁo vamos misturar isso com regulação de redes sociais — avisou.

O relator, deputado Agnaldo Ribeiro (PP-PB), reforçou que o debate serå técnico e sem viés ideológico:
— Isso nĂŁo Ă© assunto de governo. É assunto de Estado.

ResistĂȘncia escancarada

Na composição da comissĂŁo, o governo saiu enfraquecido. SĂł conseguiu a segunda vice-presidĂȘncia, com o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). JĂĄ a oposição ficou com a primeira vice, Adriana Ventura (Novo-SP), e a terceira vice, Gustavo Gayer (PL-GO).

O Centrão, que costuma ser aliado do governo quando interessa, também não topou embarcar nessa pauta. Líderes confirmaram que o presidente da Cùmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deixou claro que vai blindar a discussão sobre IA, impedindo que temas como regulação de redes sejam inseridos no debate.

Fantasma do PL da Censura

Nos bastidores, governistas ainda tentam ressuscitar o antigo PL das Fake News, que desde 2023 patina no Congresso. A proposta sequer chegou a ser votada no plenårio, tamanho o desgaste. E agora, mais uma vez, a reação foi imediata.

A deputada Caroline de Toni (PL-SC), lĂ­der da minoria, nĂŁo poupou crĂ­ticas:
— NĂŁo vamos aceitar que tentem enfiar o PL da Censura disfarçado aqui. Todos os parlamentares foram eleitos e tĂȘm direito Ă  voz. NĂŁo aceitamos mordaça.

Gustavo Gayer também disparou:
— Essa comissão não pode virar ferramenta de censura. Sempre tentam meter uma cláusula autoritária em qualquer coisa que envolva internet.

Crise diplomĂĄtica com tempero chinĂȘs

A confusĂŁo sĂł ficou maior depois das declaraçÔes de Lula e Janja na China. Durante encontro com Xi Jinping, a primeira-dama pediu a palavra para criticar o TikTok e sugeriu discutir formas de controle da plataforma. Lula, na sequĂȘncia, reforçou que pediu ao governo chinĂȘs que enviasse alguĂ©m “de confiança” para ajudar o Brasil a debater regulação digital.

O estrago foi tanto que o prĂłprio ministro das RelaçÔes Exteriores, Mauro Vieira, correu para apagar o incĂȘndio:
— NĂŁo houve convite para nenhuma autoridade chinesa vir ao Brasil tratar do TikTok — garantiu, em audiĂȘncia no Senado.

Reação pesada no Congresso

A fala de Janja foi vista como um verdadeiro tiro no pĂ©. Deputados dizem que ela sĂł jogou mais gasolina na fogueira e tornou o debate sobre redes sociais “praticamente inviĂĄvel” no Congresso.

O deputado ZĂ© TrovĂŁo (PL-SC) foi direto ao ponto:
— Enquanto Lula e sua esposa passeiam pelo mundo, torrando nosso dinheiro e pregando censura, o Brasil afunda e seus comparsas continuam roubando.

O clima é de guerra aberta. E, pelo visto, o tema da regulação das redes vai continuar travado por muito tempo no Congresso.

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