
đ Milei propĂ”e reforma trabalhista com jornadas de atĂ© 12 horas: promessa de âmodernizaçãoâ ou retrocesso social?
ApĂłs vitĂłria nas eleiçÔes legislativas, presidente argentino prioriza mudanças profundas nas leis trabalhistas â com ampliação da jornada, flexibilização de direitos e parcelamento de indenizaçÔes.
O dia seguinte Ă vitĂłria:
Javier Milei mal comemorou o resultado esmagador das eleiçÔes legislativas e jĂĄ anunciou o prĂłximo passo: uma ampla reforma trabalhista, que ele chama de âmodernização do empregoâ, mas que vem causando inquietação entre sindicatos e trabalhadores.
O projeto, batizado de Lei de Promoção de Investimentos e Emprego, propĂ”e aumentar a jornada de trabalho de oito para atĂ© doze horas diĂĄrias, permitir o pagamento parcial de salĂĄrios em vales ou tĂquetes e autorizar o parcelamento de indenizaçÔes trabalhistas em atĂ© 12 vezes.
Segundo o governo argentino, a meta Ă© formalizar cerca de 8 milhĂ”es de trabalhadores informais e abrir caminho para uma futura reforma tributĂĄria. Milei afirmou que, antes de reduzir impostos, Ă© preciso âmodernizarâ as relaçÔes de trabalho â ainda que garanta que isso ânĂŁo significarĂĄ perda de direitosâ.
Os bastidores da reforma:
O texto da reforma foi elaborado pela deputada Romina Diez, aliada de Milei e ligada Ă irmĂŁ do presidente, Karina Milei. A proposta retoma pontos de um decreto de ânecessidade e urgĂȘnciaâ editado logo no inĂcio do governo, em 2023, que acabou suspenso pela Justiça.
Entre as mudanças, o projeto prevĂȘ bancos de horas, fĂ©rias fracionadas, negociação direta entre empresas e empregados por produtividade e o fim da ultratividade sindical â princĂpio que mantĂ©m os acordos coletivos atĂ© a assinatura de novos.
O ministro do Trabalho, Julio Cordero, afirmou que o objetivo Ă© adotar ânegociaçÔes dinĂąmicasâ, semelhantes Ă s implementadas durante o governo Menem nos anos 1990, quando a flexibilização trabalhista tambĂ©m foi vendida como sinal de âmodernização econĂŽmicaâ.
Pontos centrais da proposta:
- Jornada de atĂ© 12 horas: aumento do limite diĂĄrio, com compensação de horas dentro do mesmo mĂȘs, sem pagamento extra.
- FĂ©rias fracionadas: possibilidade de dividir o perĂodo em blocos de uma semana e coordenar datas entre casais que trabalham na mesma empresa.
- IndenizaçÔes parceladas: PMEs poderão pagar valores trabalhistas em até 12 parcelas.
- SalĂĄrio em tĂquetes: parte do pagamento poderĂĄ ser feita em benefĂcios como vale-alimentação.
- NegociaçÔes por produtividade: acordos poderão ser firmados por empresa, não mais por categoria.
- Incentivos fiscais: micro e pequenas empresas terão isençÔes de impostos por novas contrataçÔes.
RepercussĂŁo e incertezas:
A oposição e os sindicatos reagiram imediatamente, acusando Milei de tentar reviver o modelo neoliberal dos anos 1990, que precarizou o trabalho e aumentou a desigualdade social. Jå o mercado reagiu com entusiasmo: o dólar voltou a subir, e analistas apostam que as medidas podem atrair investidores, ainda que à custa do enfraquecimento dos direitos trabalhistas.
Enquanto isso, a Argentina vive um cenĂĄrio de tensĂŁo entre o discurso liberal de Milei e o medo de parte da população de ver direitos conquistados ao longo de dĂ©cadas sendo desmontados em nome da âliberdade econĂŽmicaâ.
Resumo em uma frase:
Com o argumento de âmodernizar o mercado de trabalhoâ, Milei aposta em uma reforma que promete eficiĂȘncia â mas ameaça transformar o cansaço em rotina e o trabalhador em uma peça substituĂvel na engrenagem do mercado.