
A coragem que desafia ditaduras: María Corina Machado recebe o Prêmio Nobel da Paz
Escondida desde 2024, a líder da oposição venezuelana é reconhecida por sua luta incansável pela democracia e pelos direitos do povo da Venezuela.
María Corina Machado, símbolo de resistência contra o regime de Nicolás Maduro, foi anunciada nesta sexta-feira (10) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. O comitê norueguês destacou sua “coragem extraordinária” e seu “trabalho incansável na defesa dos direitos democráticos do povo venezuelano”.
Em nota oficial, o Comitê do Nobel descreveu Machado como “uma mulher que mantém acesa a chama da democracia em meio à escuridão da repressão”. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que ela representa o verdadeiro espírito democrático: “Defender princípios populares mesmo quando discordamos — isso é o coração da democracia”.
Uma vida marcada pela resistência
Escondida desde agosto de 2024, após as conturbadas eleições que mantiveram Maduro no poder, María Corina vive em constante risco. Em uma carta publicada pelo Wall Street Journal, ela declarou: “Escrevo escondida, temendo pela minha vida e pela liberdade do meu povo”. A líder afirma ter provas de que Maduro perdeu as eleições e que o governo desqualificou sua candidatura para se manter no poder.
Machado foi vista pela última vez em um breve protesto em janeiro, quando chegou a ser detida e liberada horas depois.
De ativista a símbolo global
A trajetória política de María Corina começou há mais de duas décadas, quando fundou a ONG Súmate, que lutava por transparência eleitoral. Desde então, sua voz se tornou uma das mais firmes contra o autoritarismo venezuelano.
Em 2012, enfrentou Hugo Chávez na Assembleia Nacional e proferiu uma frase que se tornou símbolo de sua luta: “Expropriar é roubar.”
Mesmo afastada das disputas eleitorais por perseguição política, María Corina manteve-se como referência de esperança para milhões de venezuelanos. Sua vitória nas primárias da oposição, com 93% dos votos, mostrou o tamanho de sua influência e a confiança que o povo deposita nela.
Um prêmio que ultrapassa fronteiras
A escolha de María Corina Machado para o Nobel da Paz é mais do que um reconhecimento pessoal — é um grito internacional pela liberdade da Venezuela. O comitê expressou esperança de que o prêmio fortaleça sua causa e a proteja das ameaças que enfrenta.
“Que este Nobel seja um escudo e uma luz para quem não se rendeu ao medo”, declarou Frydnes.