
đ Livro Proibido, Nota Internacional
OEA lembra que, no Brasil, até obra de ficção pode acabar no index judicial
Nem sĂł de discursos e decisĂ”es vive a liberdade de expressĂŁo no Brasil â Ă s vezes, um livro entra na histĂłria. Um relatĂłrio recente da ComissĂŁo Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada Ă OEA, resolveu puxar da estante um episĂłdio curioso: a censura imposta pelo ministro Alexandre de Moraes ao livro DiĂĄrio da Cadeia, do escritor Ricardo LĂsias.
O documento, divulgado na sexta-feira (26), cita o caso como exemplo de restrição Ă liberdade de expressĂŁo no paĂs. A obra estĂĄ proibida hĂĄ cerca de um ano, tempo suficiente para virar referĂȘncia internacional â nĂŁo exatamente do jeito que um autor sonha.
No livro, LĂsias assina com o pseudĂŽnimo âEduardo Cunhaâ, escolha que acabou rendendo dor de cabeça. Em janeiro deste ano, Alexandre de Moraes decidiu censurar a obra apĂłs acolher o argumento do ex-deputado de que o livro poderia confundir leitores, levando-os a acreditar que ele seria o verdadeiro autor do texto.
Em outras palavras: a ficção teria ficado real demais para alguns gostos.
O relatĂłrio da CIDH vai alĂ©m e registra que o relator especial para liberdade de expressĂŁo, Pedro Vaca Villareal, chegou a pedir esclarecimentos diretamente ao gabinete de Moraes sobre a decisĂŁo. AtĂ© agora, segundo o documento, o pedido ficou sem resposta â silĂȘncio digno de pĂĄgina em branco.
A CIDH, vale lembrar, é o braço da OEA responsåvel por monitorar direitos humanos nas Américas. Quando ela resolve citar um livro brasileiro censurado, é sinal de que a história ultrapassou as prateleiras nacionais.
No fim das contas, DiĂĄrio da Cadeia acabou conquistando um feito raro: virou leitura comentada nĂŁo pelo conteĂșdo, mas pela ausĂȘncia dele. Um best-seller invisĂvel â proibido de circular, mas presente em relatĂłrios internacionais. đâïž