
STF cala mais uma voz: ex-diretor de entidade suspeita se ampara no silêncio diante da CPMI do INSS
Com decisão de Gilmar Mendes, Igor Dias Delecrode, acusado de participar de fraudes contra aposentados, ganha o direito de não responder às perguntas — e revolta o presidente da comissão, Carlos Viana.

Mais uma vez, o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo silêncio onde o país esperava respostas. O ministro Gilmar Mendes concedeu habeas corpus a Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP), autorizando-o a permanecer calado durante seu depoimento à CPMI do INSS, realizado nesta segunda-feira (10).
Delecrode é apontado como um dos articuladores do esquema de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas — um golpe que drenou o pouco que muitos idosos tinham para sobreviver. Agora, com o aval do Supremo, ele pode simplesmente se recusar a falar diante dos parlamentares.
A decisão irritou profundamente o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que desabafou durante a sessão.
“Não é revoltante? Depois de tudo o que já investigamos, de toda a transparência do nosso trabalho, vem mais um habeas corpus do Supremo e cala uma pessoa que deve explicações ao povo”, disse Viana, visivelmente inconformado.
Para ele, a decisão enfraquece o papel fiscalizador do Congresso e desrespeita o direito da sociedade de saber a verdade sobre o desvio de recursos públicos.
Delecrode, que hoje figura como sócio de empresas investigadas no mesmo esquema, é acusado de usar a estrutura da AASAP para fraudar aposentados e lavar dinheiro por meio de negócios de fachada. Mesmo assim, sua presença na CPMI acabou reduzida a um silêncio autorizado — um silêncio que soa alto e indignante para quem espera justiça.
Mais do que um ato jurídico, a decisão de Gilmar Mendes é vista por muitos parlamentares como um novo golpe na credibilidade das investigações e mais uma página do manual da impunidade nacional, onde o direito de não falar vira escudo para quem tem muito a explicar.