
đ Pequim e Washington ensaiam trĂ©gua antes de encontro entre Trump e Xi Jinping
China anuncia acordo preliminar com os EUA em meio a tensÔes comerciais, tarifas e disputas por minerais estratégicos.
Ăs vĂ©speras do aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o fim de outubro na Coreia do Sul, a China anunciou neste domingo (26) um âacordo preliminarâ com os Estados Unidos, resultado de dois dias intensos de negociaçÔes em Kuala Lumpur, na MalĂĄsia.
O representante chinĂȘs de ComĂ©rcio Internacional, Li Chenggang, afirmou que as conversas foram âconstrutivasâ e ajudaram a avançar em temas delicados que hĂĄ meses travam as relaçÔes entre as duas maiores potĂȘncias econĂŽmicas do planeta.
âO prĂłximo passo Ă© que cada parte siga seus processos internos de aprovaçãoâ, explicou Li, destacando que os EUA mantiveram uma postura firme, enquanto a China defendeu com determinação seus interesses.
Terras raras, tarifas e fentanil no centro da mesa
Apesar de os detalhes do pacto ainda nĂŁo terem sido divulgados, o vice-ministro chinĂȘs revelou que o diĂĄlogo envolveu questĂ”es sensĂveis, como os controles de exportação de terras raras â minerais essenciais para a produção de semicondutores, veĂculos elĂ©tricos e equipamentos militares â alĂ©m da cooperação no combate ao fentanil, potente droga sintĂ©tica que tem preocupado Washington.
As delegaçÔes tambĂ©m discutiram a prorrogação da suspensĂŁo de tarifas recĂprocas e taxas portuĂĄrias impostas pelos EUA a embarcaçÔes chinesas, bem como estratĂ©gias para fortalecer o comĂ©rcio em setores de tecnologia e energia.
Horas antes do anĂșncio, o secretĂĄrio do Tesouro americano, Scott Bessent, adiantou que as conversas estabeleceram âbases muito sĂłlidasâ para o encontro entre Trump e Xi.
Um gesto de trĂ©gua em meio Ă turbulĂȘncia
O acordo vem num momento de forte tensĂŁo econĂŽmica. No inĂcio de outubro, Pequim havia ampliado as restriçÔes Ă exportação de terras raras, dominando cerca de 90% do mercado mundial desses minerais. A medida provocou irritação em Washington, e Trump respondeu ameaçando elevar as tarifas sobre produtos chineses para 100% a partir de novembro.
A rodada de Kuala Lumpur, portanto, Ă© vista como um sinal de respiro diplomĂĄtico, uma tentativa de evitar uma nova escalada da guerra comercial e preparar terreno para o que pode ser um dos encontros mais decisivos do ano no tabuleiro global.