
Lula viaja 22h e Trump 22h… e a prioridade continua sendo a Lei Magnitsky
Enquanto tarifas e sanções dominam a agenda, críticas surgem: reunião “impossível” parece mais um esforço simbólico do que resultados concretos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não economizou dramaticidade ao falar sobre o encontro com Donald Trump neste domingo (26), em Kuala Lumpur, Malásia. Segundo ele, ambos viajaram 22 horas cada para viabilizar uma reunião que, até pouco tempo atrás, parecia impossível.
“Trump viajou 22 horas e eu 22 horas para uma reunião que parecia impossível”, declarou Lula em coletiva de imprensa, destacando o esforço físico e diplomático da viagem. Mas a ironia cruel do encontro é que, segundo críticos, a pauta principal do brasileiro parece ter sido a famosa Lei Magnitsky, deixando tarifas e interesses comerciais em segundo plano.
O encontro durou cerca de 50 minutos e contou com a presença de integrantes dos dois governos. Pelo lado brasileiro, estavam o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, o secretário-executivo do MDIC Márcio Elias Rosa e o diplomata Audo Faleiro. Representando os EUA, participaram o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o representante de Comércio Jamieson Greer.
Após a reunião, o chanceler brasileiro afirmou que Trump ordenou o início imediato de negociações bilaterais sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros. “Há disposição política dos dois lados para resolver rapidamente a questão das tarifas”, disse Vieira, ressaltando que o clima foi “positivo e descontraído”.
Apesar do tom diplomático, críticos apontam que a prioridade de Lula continua sendo defender autoridades punidas pela Lei Magnitsky, enquanto questões práticas para a economia brasileira — como o impacto do tarifaço — avançam lentamente. Em outras palavras: grande viagem, grande foto, resultados ainda incertos.
As equipes técnicas dos dois países devem começar as tratativas ainda neste domingo, com o objetivo de concluir negociações em poucas semanas. No entanto, o fato de não haver condições claras para suspensão imediata das tarifas mantém o clima de cautela e frustração entre empresários e analistas.
O episódio evidencia que, mesmo com encontros internacionais grandiosos, a prática política e econômica ainda pode ficar em segundo plano, enquanto símbolos e gestos ganham destaque nas manchetes.