🎬 Cinema com Lacração e Conta PĂșblica

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Kleber Mendonça Filho ataca Bolsonaro, agora passa o recibo ao governo Lula

Depois de faturar prĂȘmios no Globo de Ouro com O Agente Secreto, o diretor Kleber Mendonça Filho resolveu transformar o reconhecimento artĂ­stico em palanque polĂ­tico. Em entrevistas, falou em “guinada Ă  direita”, chamou Jair Bolsonaro de “epicamente irresponsĂĄvel” e apresentou a vitĂłria internacional como sĂ­mbolo do fim de um ciclo no Brasil. O discurso atĂ© soa ensaiado — o problema Ă© o silĂȘncio estratĂ©gico sobre quem bancou a produção e o contexto atual do paĂ­s.

CrĂ­ticos apontam a contradição clĂĄssica do “comunismo caviar”: prega-se socialismo em discursos, mas vive-se confortavelmente do capitalismo, com turnĂȘs internacionais, tapetes vermelhos e milhĂ”es captados via incentivos pĂșblicos. Para esses crĂ­ticos, a fala polĂ­tica pĂłs-prĂȘmio parece menos convicção e mais recibo passado ao governo Lula, que ampliou a torneira de recursos culturais enquanto estatais acumulam prejuĂ­zos e serviços bĂĄsicos patinam.

O diretor aconselhou jovens cineastas a “expressarem suas queixas” e defendeu o cinema como instrumento de protesto. Mas ficou fora do enquadramento qualquer menção ao rombo fiscal, ao endividamento, aos escĂąndalos que rondam BrasĂ­lia ou Ă  realidade de empresas pĂșblicas no vermelho. A indignação, ao que tudo indica, tem alvo fixo — e aliados poupados.

NĂŁo se discute o mĂ©rito artĂ­stico nem o talento de Kleber Mendonça Filho. O que se questiona Ă© a militĂąncia seletiva: atacar um ex-presidente no exterior rende aplausos; cobrar coerĂȘncia de quem governa hoje, aparentemente, nĂŁo rende. No fim, sobra a sensação de que a arte virou megafone ideolĂłgico, financiado pelo contribuinte, enquanto a conta — como sempre — fica para o pĂșblico pagar.

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