
đž Conafer sob suspeita: repasses milionĂĄrios a empresas de assessor do presidente
RelatĂłrios do Coaf indicam transferĂȘncias atĂpicas logo apĂłs recebimento de R$ 13 milhĂ”es do INSS; investigação da CPMI mira possĂvel favorecimento e irregularidades.
A Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) estĂĄ no centro de um escĂąndalo: relatĂłrios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a entidade realizou transferĂȘncias suspeitas a empresas ligadas a um assessor do seu prĂłprio presidente, Carlos Roberto Ferreira Lopes.
Segundo os documentos enviados Ă CPMI do INSS, CĂcero Marcelino de Souza Santos, apontado pela PolĂcia Federal como assessor de Lopes, Ă© sĂłcio de diversas empresas que receberam dinheiro da Conafer no mesmo dia em que a entidade recebeu R$ 13 milhĂ”es do INSS. Entre as empresas estĂŁo Santos Consultoria e Assessoria, To Hire Cars, Nobre Serviços de Eventos, alĂ©m de negĂłcios compartilhados com sua esposa, Ingrid, como IBC Prudente Apoio Administrativo e AgropecuĂĄria PKST.
O Coaf apontou âcaracterĂsticas incomuns nas transaçÔesâ, destacando que recursos pĂșblicos foram imediatamente direcionados para mĂșltiplas transferĂȘncias, beneficiando terceiros sem relação clara com os programas sociais da associação, que oficialmente Ă© sem fins lucrativos.
O presidente da Conafer chegou a ser preso temporariamente durante audiĂȘncia da CPMI por suspeita de falso testemunho, mas foi liberado em seguida.
Em nota, a Conafer defendeu que os pagamentos fazem parte do fluxo normal de obrigaçÔes contratuais com fornecedores. A entidade afirmou que as empresas de CĂcero e Ingrid prestam serviços efetivos Ă associação e, portanto, os repasses seguem procedimentos habituais.
O histĂłrico da Conafer levanta ainda mais suspeitas. Um documento do INSS, de outubro de 2020, apontou que durante a pandemia a entidade incluiu quase 96 mil novos associados em apenas quatro meses, gerando descontos automĂĄticos em benefĂcios previdenciĂĄrios de forma considerada anormal. Ă Ă©poca, o INSS solicitou a rescisĂŁo do Acordo de Cooperação TĂ©cnica, mas a Conafer negou irregularidades, afirmando que o processo administrativo foi arquivado sem comprovação de ilegalidades.
O caso segue sob investigação, e os relatĂłrios do Coaf serĂŁo fundamentais para determinar se houve favorecimento indevido e uso irregular de recursos pĂșblicos destinados a aposentadorias e programas sociais.