
đ PL da Anistia avança: com 257 assinaturas, projeto pode ir direto ao plenĂĄrio
Manobra da oposição pressiona por votação urgente que pode perdoar envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Cabe agora ao presidente da Cùmara decidir se pauta ou não a proposta.
O polĂȘmico Projeto de Lei que concede anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em BrasĂlia, alcançou o nĂșmero mĂnimo de 257 assinaturas na noite desta quinta-feira (10). Com esse apoio, a proposta pode ganhar prioridade na CĂąmara dos Deputados e ser votada em regime de urgĂȘncia â escapando do caminho mais lento das comissĂ”es temĂĄticas.
O anĂșncio foi feito pelo deputado SĂłstenes Cavalcante (PL-RJ), lĂder do Partido Liberal, por meio de um vĂdeo divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a assinatura decisiva foi a do deputado Paulo Azi (UniĂŁo Brasil-BA), registrada Ă s 22h22.
Com 257 assinaturas â metade mais um dos 513 parlamentares da CĂąmara â o pedido de urgĂȘncia serĂĄ oficialmente encaminhado ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). CaberĂĄ a ele decidir se coloca ou nĂŁo o tema na ordem do dia para votação imediata.
Quem apoia?
A maior parte das assinaturas veio da bancada do PL, que entregou 89 apoios entre seus 92 deputados. O União Brasil aparece em seguida, com 36 assinaturas. Também aderiram PP (34), Republicanos (26), PSD (23), MDB (21), além de parlamentares do PSDB, NOVO, AVANTE, PRD, Cidadania e outros.
Curiosamente, atĂ© deputados de partidos que compĂ”em a base do governo assinaram o pedido, o que revela o peso polĂtico da proposta nos bastidores.
E o que muda com isso?
Com a urgĂȘncia aprovada, o projeto pode ser votado diretamente no plenĂĄrio, sem precisar passar pelas comissĂ”es que analisam o mĂ©rito e a constitucionalidade. Mas ainda hĂĄ um passo: a urgĂȘncia precisa ser confirmada por pelo menos 257 votos em plenĂĄrio. Se aprovada, a proposta entra direto na fase de votação final.
Nos bastidores, o prĂłprio presidente da CĂąmara estaria tentando costurar um acordo entre Legislativo, Executivo e JudiciĂĄrio para abrandar as puniçÔes, sem, no entanto, anistiar nomes considerados como mentores da tentativa de golpe â como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quinta, a ministra das RelaçÔes Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que qualquer revisĂŁo de penas depende do Supremo Tribunal Federal (STF), mas nĂŁo descartou diĂĄlogo â desde que lĂderes do levante de 8 de janeiro fiquem fora do perdĂŁo.
O que diz o texto?
O projeto propĂ”e anistiar todos os crimes com motivaçÔes polĂticas ou eleitorais cometidos durante os atos antidemocrĂĄticos do 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram e depredaram os prĂ©dios dos TrĂȘs Poderes, em BrasĂlia.
Agora, com a pressĂŁo aumentando, a decisĂŁo estĂĄ nas mĂŁos do presidente da CĂąmara: ele pode dar um empurrĂŁo para a anistia passar a galope â ou segurar a pauta, mantendo o rito tradicional. A prĂłxima jogada, como sempre, serĂĄ polĂtica.