
đ Gleisi aponta o dedo para Bolsonaro, mas esquece o espelho
Ministra celebra julgamento do ex-presidente e ataca âgolpismoâ, enquanto ignora seu prĂłprio passado â e o escĂąndalo do roubo dos aposentados, que envolve atĂ© seu companheiro Lindbergh.
Nesta segunda-feira (9.jun.2025), a ministra de RelaçÔes Institucionais, Gleisi Hoffmann, apareceu cheia de indignação seletiva ao comemorar o depoimento de Jair Bolsonaro ao STF. Com um discurso inflamado e tom justiceiro, ela declarou: âLugar de Bolsonaro Ă© no banco dos rĂ©usâ. A frase foi dita como se ela prĂłpria estivesse acima de qualquer suspeita â o que, convenhamos, estĂĄ longe de ser o caso.
Gleisi ainda afirmou que o julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe seria a âmelhor respostaâ aos apelos do deputado Eduardo Bolsonaro por uma intervenção externa. Para ela, Bolsonaro estĂĄ tendo todas as garantias do devido processo legal â o que, segundo a ministra, nĂŁo acontece nas âditaduras que ele defendeâ.
AtĂ© aĂ, nada novo no front. O problema Ă© que a mesma Gleisi que se diz defensora da Justiça faz questĂŁo de empurrar para debaixo do tapete a CPMI do INSS, que poderia investigar um dos maiores escĂąndalos recentes contra os aposentados brasileiros. Isso mesmo: aposentados, justamente os mais vulnerĂĄveis, foram saqueados â e, curiosamente, o nome do companheiro de partido e de vida, Lindbergh Farias, aparece entre os citados no escĂąndalo.
Mas Gleisi nĂŁo quer investigação. Para ela, o silĂȘncio Ă© mais conveniente. Afinal, mexer nesse vespeiro poderia colocar em risco nĂŁo sĂł aliados, mas tambĂ©m revelar conexĂ”es incĂŽmodas. E aĂ fica a pergunta que ecoa com força: quem nĂŁo deve, nĂŁo teme, certo?
A fala da ministra soa como um espetĂĄculo de moralidade sob medida. Aponta o dedo para o âgolpistaâ da vez enquanto fecha os olhos para os assaltos aos cofres pĂșblicos praticados sob as bĂȘnçãos de quem hoje se diz guardiĂŁo da democracia. A indignação, ao que tudo indica, tem filtro partidĂĄrio.