
đ SilĂȘncio que fala alto: dirigente de associação se cala na CPMI do INSS com aval do STF
Amparado por habeas corpus, Igor Dias Delecrode, acusado de envolvimento em fraudes bilionĂĄrias contra aposentados, recusou-se a responder aos parlamentares â e reacendeu crĂticas sobre o alcance das decisĂ”es judiciais.
Em mais um capĂtulo de impunidade que desafia o bom senso, o empresĂĄrio Igor Dias Delecrode, diretor da Associação de Amparo Social do Aposentado e Pensionista (AASAP), compareceu nesta segunda-feira (10) Ă CPMI do INSS, mas nĂŁo disse uma palavra. Amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele preferiu o silĂȘncio absoluto diante das perguntas dos parlamentares â um silĂȘncio que soa mais como confissĂŁo do que como direito.
Logo no inĂcio da sessĂŁo, o presidente da comissĂŁo, senador Carlos Viana (Podemos-MG), protestou contra o que chamou de âamarras impostas pela Justiçaâ que, segundo ele, enfraquecem o poder de investigação do Congresso. Mesmo sob pressĂŁo, Delecrode manteve-se inabalĂĄvel: nĂŁo respondeu a uma Ășnica pergunta.
Os documentos apresentados Ă comissĂŁo traçam um cenĂĄrio sombrio. RelatĂłrios do Coaf e registros internos da AASAP apontam que a associação teria desviado milhĂ”es de reais retirados dos contracheques de aposentados e pensionistas. O dinheiro, que deveria servir a quem trabalhou a vida inteira, teria sido usado para enriquecer dirigentes, financiar empresas prĂłprias e atĂ© bancar luxos incompatĂveis com a função social da entidade â entre eles, carros esportivos, joias e lanchas.
Como se nĂŁo bastasse, os investigadores descobriram que o grupo ainda criou um sistema de biometria falsificada, capaz de forjar assinaturas de beneficiĂĄrios â uma fraude cruel que transforma idosos em vĂtimas de um golpe frio e tecnicamente sofisticado.
A CPMI foi instaurada para desvendar o esquema de corrupção e desvio de recursos previdenciĂĄrios que se espalhou como uma teia entre servidores, intermediĂĄrios e empresĂĄrios. Mas, a cada sessĂŁo, cresce a sensação de que quem tem poder e bons advogados sai ileso â e calado.
Enquanto isso, o paĂs observa, indignado, mais um depoente que se refugia atrĂĄs de um habeas corpus, deixando sem resposta as perguntas que ecoam do lado de fora do Congresso: quem vai devolver a dignidade roubada dos aposentados?